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Aldo defende na Bahia projeto de desenvolvimento para enfrentar a crise

Desenvolvimento. Essa é a resposta para enfrentar a crise, segundo as palavras do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP). "O governo tem adotado medidas de compensação e contenção, mas as medidas de superação ainda não foram contempladas", pontuou. O deputado foi palestrante convidado no debate "A crise financeira mundial e um novo projeto para o Brasil", promovido pelo deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA), em Salvador, na manhã desta sexta-feira (17/4).

Apesar de constatar a inexistência de um consenso mundial acerca de ações para o enfrentamento da crise, Rebelo aposta no potencial do Brasil: "O país tem todas as condições de enfrentar e sair dessa crise com grandes êxitos se fizer uma leitura da situação que potencialize as nossas capacidades adormecidas". Agricultura e mineração figuram na linha de frente, além da retomada do processo nacional de industrialização. "Estamos preparados científica e tecnologicamente para adentrar em fronteiras de desenvolvimento industrial", atesta o deputado.


O esperado crescimento, entretanto, prescinde necessariamente de planejamento e execução; os quais justamente padecem dentro da estrutura governamental. "Observa-se um fortalecimento de setores que travam o próprio Estado. Algumas organizações sequestraram a agenda ambiental do Brasil e, com posições conservadoras, instalam uma ‘guerra' de contenção das potencialidades de desenvolvimento nacional", criticou Aldo Rebelo. Os reflexos podem ser verificados na prática, quando entraves burocráticos barram a expansão da atividade agrícola e mineral no país que detém, preservadas, 30% de sua cobertura vegetal original; em contraposição a nações européias, como a Holanda, que, apesar de financiar o Greenpeace - um dos mais combativos grupos ambientalistas, de marcada atuação também em terras verde-e-amarelas -, só abriga 0,1% de suas matas originais. "É possível, sim, compatibilizar preservação ambiental com desenvolvimento", enfatizou.


Medidas Provisórias

Desde a deflagração da crise, em setembro do ano passado, até a presente data, foram editadas sete medidas provisórias. A mais recente, aprovada na Câmara e aguardando parecer do Senado, autoriza o reforço de R$ 100 bi ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para o aumento da capacidade de financiamento de projetos a longo prazo. "Os empréstimos do setor privado bancário foram reduzidos a praticamente zero. Todo o financiamento, hoje, está concentrado nos bancos públicos, como o próprio BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal; então, esses esforços de caixa são medidas importantes e que, se não houvesse, nossa situação seria ainda pior", opina Rebelo.


O programa "Minha Casa, Minha Vida", anunciado pelo governo federal, segue na linha de "socorro" à população carente e de estímulos a economia interna. "O financiamento e a construção de casas populares é um caso evidente de auxílio à população mais pobre, associado à geração de emprego e de incentivos a indústria nacional da construção civil", destaca o comunista.


E os investimentos no mercado interno têm gerado resultados. Segundo pesquisa divulgada no Fórum Econômico Mundial da América Latina, o Brasil ocupa a 64ª posição no ranking de competitividade, entre 134 nações pesquisadas. Entre as vantagens apresentadas, e que colocam o país à frente de México e Espanha, estão o tamanho do mercado consumidor, e o setor empresarial sofisticado e inovador. 


A taxa de juros, entretanto, ainda segue entre as mais elevadas do mundo. "A redução veio um pouco tarde e sem a intensidade necessária", aponta Rebelo. Mantendo-se os índices em escalas elevadas, o risco é de escassez de crédito e consequente retração econômica, o que agravaria ainda mais o cenário de crise "É preciso, portanto, um projeto nacional de desenvolvimento para enfrentar a crise e outro para o depois da crise", conclui.


Também compôs a mesa de debates, o presidente da Associação Comercial da Bahia, Eduardo Moraes; a jornalista e professora da UFBA, Malu Fontes; o superintendente regional do Banco do Brasil, Rodrigo Nogueira; o presidente estadual do PCdoB, Péricles de Souza; o secretário da Secretaria do Emprego, Trabalho, Renda e Esporte - Setre, Nilton Vasconcelos; o deputado estadual Álvaro Gomes (PCdoB); e as representantes do PCdoB na Câmara de Vereadores, Aladilce Souza e Olívia Santana. Entre o público presente, o superintendente regional da Agência Nacional do Petróleo - ANP, Francisco Nelson; o presidente da Bahiagás, Davidson Magalhães; lideranças sindicais, representantes de ONGs e associações de bairro.


De Salvador,

Camila Jasmin

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