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Delson Coêlho: “Essa foi uma campanha histórica”

Delson Coêlho, presidente do SEEB/VCR
Na semana passada, chegou ao fim a greve dos bancários que durou, na base de Vitória da Conquista e Região, 16 dias. Com esse movimento, considerado histórico, a categoria conseguiu um aumento real de 2,85%.
Nesta entrevista, o presidente do Sindicato dos Bancários de Vitória da Conquista e Região faz uma análise  da campanha salarial deste ano.


Piquete Bancário - Nesta campanha salarial, a categoria bancária fez greve por 16 dias. Como o senhor avalia este movimento?

Delson Coêlho - Desde o princípio das negociações, nós sabíamos que era necessária a construção de uma greve forte para conseguimos arrancar algo dos banqueiros, ou seja, tínhamos consciência que a campanha apenas via negocial não lograria sucesso. 


 - E a participação dos bancários?
- De certa forma, a participação dos bancários nos surpreende. Porém, entendemos que essa participação é fruto do movimento sindical que passou a interagir com a categoria não somente com o encaminhamento do que a base pretende, mas levando a ela também o ponto de vista do Sindicato a sua forma de luta. Com isso, nós estamos conduzindo o movimento sindical, trabalhando com o conjunto da base. Com sugestões e opiniões de ambas as partes, estamos criando uma categoria cada vez mais forte. 
 
- A proposta de reajuste proporcional acabou beneficiando quem realmente participou da greve. Esta foi uma forma mais justa?
- Eu entendo que a forma justa deveria ser um aumento linear, para todos. Muito embora a gente sabe que, a despeito de comissões, alguns patrões têm tratado diferentemente os bancários e, dessa forma, eu acredito que esse calculo diferenciado, proposto pelos banqueiros, faz uma certo equilíbrio nessa pirâmide de salários que existe hoje na categoria. A nossa intenção era que houvesse um aumento igual e que a questão do plano de cargos e salários pudesse ser pormenorizada para que cada bancário soubesse quanto vai ganhar daqui há cinco, dez anos. 


- Neste movimento paredista, os bancos privados tentaram impedir o direito de greve dos trabalhadores com uma "chuva de interditos". Como vê o uso desse artifício?

- O uso do interdito proibitório é uma truculência provocada pelos banqueiros e acatada por muitos juizes. O pior, é que alguns juizes ainda fazem o entendimento que é cabível uma devolução de posse daquilo que o Sindicato em momento algum tomou. Basta ver que nós fizemos assembléia e divulgamos o aviso de greve. Observamos que essas ações são impetradas na justiça antes mesmo de nós iniciarmos a greve. Alegam que tem que haver a regulamentação da Lei de Greve, nº 7787, porém, não há necessidade de ser regulamentada, pois, ela se auto regulamenta. Entretanto, alguns juizes, a exemplo de Dr. Sebastião Martins Lopes, tiveram a decisão justa de oficializar de forma benéfica para ambas as partes, notadamente em relação à Polícia Militar que deve se ater à sua função ostensiva e sendo acionada quando houver necessidade.
De uma forma geral, os bancários reagiram aos interditos impróprios e conseguiram dar prosseguimento à greve.


- O que ainda ficou pendente nas negociações?

- Não conseguimos alcançar a nossa reivindicação de 5% de aumento real (o reajuste foi de 2,85%). Mesmo assim, este foi o maior aumento real desde 2003 nos bancos privados e nos bancos públicos desde 1994. Esperamos chegar a um reajuste que se iguale ao crescimento do PIB. Outro ponto pendente diz respeito à curva do PCS. Os bancos privados, principalmente o Bradesco, não aceitam uma reforma. Porém, tivemos avanço no BNB, mas necessitamos urgentemente equacionar o novo PCS partindo do novo piso definido. 


- A campanha salarial deste ano pode ser considerada histórica?

- Sem dúvida alguma, essa foi uma campanha histórica. Na nossa base, cerca de  80% dos bancários cruzaram os braços durante quase 15 dias. Entendemos que a categoria pode conseguir ser bem remunerada, tendo como ponto de partida a nossa luta.

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