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Entidades pedem apoio de parlamentares contra desmonte do BB

Entidades representativas dos bancários enviaram uma carta aos senadores e deputados federais solicitando que eles defendam o caráter público do Banco do Brasil, que está sendo ameaçado de desmonte pelas ações do governo Bolsonaro.

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As entidades falam da importância do banco para o país e apela para que as intenções da direção do BB sejam revistas levando-se em consideração que qualquer reestruturação precisa considerar a dimensão estratégica do banco. Lembra que a proposta de reestruturação implica na desativação de 361 unidades, sendo 112 agências, sete escritórios e 242 postos de Atendimento, além de possibilitar a extinção de 5 mil postos de trabalho.

O documento é assinado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf); Associação dos Aposentados e Funcionários do Banco do Brasil (AAFBB); Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB) e Federação das Associações de Aposentados e Pensionistas do Banco do Brasil (FAABB).

Confira a íntegra da carta:

Brasília (DF), 15 de janeiro de 2021.

Caro (a) Deputado/Deputada e Senador/Senadora,

A maior crise de saúde pública e seus profundos impactos na vida social econômica do País desafiam as instituições brasileiras a respostas corajosas.

Na contramão de movimentos que possam significar esperança para osbrasileiros e retomada da economia, o Banco do Brasil anunciou (11/01) que serãodesativadas 361 unidades, sendo 112 agências, sete escritórios e 242 postos deatendimento. Em comunicado ao mercado, o BB informou, também, sobre uma reestruturação dos quadros e desligamento de pessoal – o que pode representar a extinção de 5 mil postos de trabalho.

Hoje (14/01), em reunião que contou com a participação de suas respectivas lideranças, AAFBB, ANABB, CONTRAF e FAABB debateram os planos de fechamento de unidades do Banco do Brasil e de desligamento de pessoal.

Ao analisar o momento vivido pelo País, as entidades presentes entenderam que o Congresso Nacional, representante da vontade popular, poderá ter um papel decisivo no sentido de impedir que sigam em frente os planos de fechamento de unidades doBanco do Brasil e de extinção de 5 mil vagas no quadro de pessoal da empresa.

Ao trazer este tema para aqueles que trabalham para os interesses legítimos da sociedade, as entidades lembram que o País tem realidades regionais muito diversas e nem toda a população tem acesso com facilidade aos meios digitais.

O fechamento de agências em pequenos municípios tem um forte impacto social e econômico. Uma preocupação especial recai em pequenas comunidades ou em regiões dedicadas à agricultura familiar e a pequena produção. De acordo com dados da Secretaria de Agricultura Familiar, se o Brasil só contasse com a produção familiar, ainda assim, estaria entre os 10 maiores países na produção de alimentos. Na regiãoNordeste, onde boa parte da população economicamente ativa está envolvida napequena produção familiar, o fechamento de unidades do BB representa a estagnação econômica do município e fim de muitos negócios locais.

A inovação digital é bem-vinda, desde que combinada com uma rede capaz de atendimento presencial, considerando as peculiaridades da economia em cada município brasileiro, sobretudo aqueles afastados dos grandes centros e carentes de infraestrutura tecnológica. Para milhões de brasileiros, a necessidade de operações bancárias é atendida nas unidades físicas do BB.

Ademais, ao diminuir o quadro de pessoal, a decisão amplia o déficit no atendimento à população e sobrecarrega ainda mais as agências, com ônus para a qualidade dos serviços prestados aos clientes e acarretando desgaste físico e emocional para os funcionários na linha de frente. Vale registrar que o BB hoje conta com 70 milhões de clientes, número que ultrapassa a população de países como Espanha, França, Inglaterra e Itália.

A inovação digital, por sua vez, precisa ser acompanhada de ações estruturantes. No contexto da pandemia, assistimos ao persistente desemprego, fechamento de empresas e desativação de negócios, sacrificando a renda e postos de trabalho. O crédito é uma das maiores vocações do Banco do Brasil e o potencial de contribuir para a sociedade brasileira, na atual conjuntura, vai muito além do que uma ênfase em canais digitais.

Por fim, chamamos atenção do Congresso Nacional para o momento dramático de escalada da covid-19. Milhares de vida vêm sendo ceifadas, inclusive de funcionários do BB que exercem atividade essencial nas agências.

A crise na saúde, com profundos reflexos no desenvolvimento econômico e social do País, desafia os bancos públicos a um outro tipo de atuação de forma que possam contribuir para a sociedade brasileira neste momento especial.

A insensibilidade diante deste momento, a falta de empatia e a ausência de um plano voltado para as reais necessidades do País chocam quando partem de uma empresa pública de 212 anos de serviços prestados à sociedade brasileira.

Coincidentemente, no mesmo dia em que a Ford anunciou o fechamento de suas operações no Brasil, com agravamento do desemprego, a imprensa noticiou as intenções do BB, com efeitos também negativos para o bom atendimento da população, além de significar também redução de vagas de trabalho.

Diante dos fatos aqui expostos, contamos com o amplo apoio e atenção de cada parlamentar para que as intenções da Direção do Banco do Brasil sejam revistas.

Qualquer reestruturação precisa considerar a dimensão estratégica do Banco do Brasil, sobretudo neste momento crucial da vida do País.

Atenciosamente,

AAFBB – Associação dos Aposentados e Funcionários do Banco do Brasil

ANABB – Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil

CONTRAF – Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro

Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil

Federação das Associações de Aposentados e Pensionistas do Banco do Brasil

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