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Seminário discute metas abusivas e adoecimento no trabalho

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O Comando Nacional dos Bancários reuniu especialistas e lideranças sindicais nesta quarta-feira (10/70, em São Paulo, para debater estratégias de combate às políticas de avaliação de desempenho e descomissionamentos praticadas pelos bancos, que tem impacto significativo na saúde da categoria.

A programação contou com palestrantes renomados que falaram sobre metas abusivas e riscos psicossociais e os impactos à saúde dos bancários; metas abusivas, seus limites legais e a estratégia jurídica de enfrentamento; programa de resultados AGIR/TRILHAS (Itaú) como prática de assédio moral coletivo e métodos de gestão dos bancos.

O presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Hemelino Neto, participou do evento, juntamente com o diretor de Saúde do Sindicato da Bahia, Célio Pereira; o diretor do Sindicato de Sergipe Luiz Alberto Brito e o diretor do Sindicato do Extremo Sul da Bahia, Fabiano Matias.

Metas abusivas

A primeira mesa, abordou as metas abusivas e riscos psicossociais e os impactos à saúde dos bancários. A palestrante foi a psicóloga, perita assistente na justiça do trabalho, consultora e assessora em saúde do trabalhador Elisa Ferreira, que explicou os quadros de sintomas de bancários que podem indicar o início do adoecimento. Para ela,

o maior problema é a vergonha dos trabalhadores em assumir um problema. “Menos de 20% dos bancários, com este tipo de problema, apresentam os atestados ou buscam seus direitos para os tratamentos. Eles têm medo de apresentar a documentação e ficarem com um X nas costas. Temos que coibir este tipo de mentalidade nos bancos.”

A segunda mesa da manhã, tratou de metas abusivas, seus limites legais e a estratégia jurídica de enfrentamento. Jane Salvador Gizzi, advogada trabalhista, mestre em Direito Econômico e Social PUC/PR, explicou os efeitos deste tipo de gestão na vida do trabalhador. “Às vezes o trabalhador atingiu a meta, mas a que custo? A cobrança abusiva leva à precarização da existência, quando o trabalhador faz as coisas sem perceber, trabalha resistindo, trabalha adoecido, até não aguentar mais.”

Outro modelo de repercussão e o modelo de vida “Just In time”, tudo para agora. “As metas não são mais semestrais, são do dia, da semana. É tudo para ontem, o que aumenta muito a cobrança. Isso vem junto com o abuso do direito mediante das técnicas e políticas de gestão: metas abusivas, controle do tempo, do ritmo e da produtividade”, explicou a advogada.

Assédio moral

Na parte da tarde, o seminário debateu o assédio moral como ferramenta de gestão nos bancos. A procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT) Sofia Vilela de Moraes e Silva explicou que o assédio moral no trabalho pode acontecer por gestos, palavras ou comportamentos. “A tecnologia possibilita que o assédio moral aconteça de outras formas. Muitas denúncias que recebo, geralmente, já vêm acompanhadas de provas, como e-mails enviados além do horário de jornada com cobranças, áudios e conversas de aplicativos de mensagens”, disse.

As metas abusivas estipuladas pelos empregadores também são consideradas como tal prática, de acordo com Sofia Silva. “Para se configurar como meta abusiva, a cobrança tem de ser repetitiva e sistemática, extrapolar a razoabilidade e atingir o psicológico do trabalhador”, explicou.

Nos bancos, a forma mais comum de assédio moral é organizacional, quando um trabalhador cobra o outro, pois todos da empresa precisam bater a meta. Já o assédio moral interpessoal, acontece entre o superior e o trabalhador e vice-versa e entre colegas de trabalho da mesma hierarquia.

Segundo a procuradora, para combater o assédio moral nas empresas, é preciso aumentar a fiscalização, a punição e estimular o judiciário a definir punições que façam os empregadores reverem suas atitudes com os funcionários.

Programas de Avaliação de Resultados

A última mesa do Seminário de Saúde do Trabalhador abordou a subjetividade no novo modelo de gestão dos bancos e como ela é implantada nos programas de avaliação por performance, aplicado pelas empresas, como o Programa de resultados AGIR/Trilhas do Itaú.

Para o psicólogo André Guerra, é importante ter a compreensão do modo de poder opressivo e sedutor que vem se instalando nas empresas junto com as novas tecnologias. “O Trilhas (programa de resultados) possui uma série de variedades subjetivas, dentre elas: funcionário com atitude de dono e foco no cliente, tudo isso faz com que as pessoas “sejam seduzidas” e pensem que a avaliação ajuda o profissional a se aperfeiçoar. Mas, não. Essa subjetividade é um alimento para o assédio moral”, disse.

Uma das estratégias de enfrentamento contra essas ferramentas, que promovem o assédio moral, é ter conhecimento dessa tecnologia. “Precisamos ir até a nossa base e expor que não é da forma como o programa de resultados está sendo apresentado, mas sim, promove o assédio moral coletivo, quando estabelece uma avaliação de excelência inatingível. Mas, ao mesmo tempo, precisamos tomar cuidado para que essas pessoas não se tornem nossas adversárias, porque isso pode acontecer”, concluiu o psicólogo.  

Com informações da Contraf.

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