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8 de marça de 2019

A manutenção dos direitos foi a grande vitória dos bancários em 2018

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O ano de 2018 foi de muita luta para os bancários. A entrada em vigor da reforma trabalhista e da lei que permite a terceirização irrestrita colocou em perigo muitos direitos da categoria que, apesar do cenário desfavorável, saiu vitoriosa da campanha salarial, mantendo a Convenção Coletiva de Trabalho e conquistando aumento real de salários. Nesta entrevista, o presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Hermelino Neto, faz uma avaliação das ações de 2018 e fala das perspectivas para 2019.

Quais os principais desafios enfrentados pelos bancários em 2018?

Hermelino Neto - Foram muitos. Com destaque para a primeira campanha salarial pós reforma trabalhista. O grande desafio era fechar um acordo até o final de agosto, garantindo todas as cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho. Foi um processo difícil, mas garantimos as conquistas.

Desde os primeiros encontros regionais até a Conferência Nacional, sabíamos das dificuldades, mas não tínhamos certeza do desfecho. Isso foi sinalizado um pouco já no final de agosto, porque as ameaças eram enormes no processo de negociação. As coisas estavam muito incertas.

No final, renovamos a CCT e nós da Bahia e Sergipe, ainda mantivemos também a CCT Aditiva, com todos os nossos sindicatos, sendo tratados de forma igualitária e mantendo a gratificação semestral nos bancos privados.

Como avalia a campanha nacional 2018? Valeu a pena antecipar as discussões?

Hermelino Neto - Se não tivéssemos antecipado a nossa campanha, estaríamos numa situação muito complicada em função do fim da ultratividade. A partir do dia 1º de setembro a reforma trabalhista seria aplicada e todas as nossas cláusulas estariam descobertas. Inclusive, com a possiblidade de não receber tiquete alimentação e refeição, auxílio creche e outros benefícios. A avaliação é que foi uma campanha difícil. Fomos a única categoria que conseguiu fechar uma campanha neste patamar, sem perdas. Ao contrário, conquistamos vitórias diante de um cenário difícil, complexo. A nossa categoria saiu vitoriosa.

As decisões foram discutidas e tomadas nas assembleias, por tanto, a unidade foi o grande marco da nossa campanha. Nos sindicatos, nas federações, no Comando Nacional, o que prevaleceu foi o ambiente de unidade, porque tínhamos certeza que estávamos diante de uma situação muito difícil. Quando iniciamos a campanha, os banqueiros falaram que esse modelo de negociação já havia esgotado. Então, renovar a CCT com conquistas foi importante. Na nossa avaliação, foi uma campanha vitoriosa.

Quais as principais conquistas do acordo atual? Quais as vantagens de sua validade por dois anos?

Hermelino Neto - Para mim, a principal conquista foi fechar o acordo com todas as cláusulas. Sabemos que tem cláusulas econômicas importantes, como, por exemplo, a que trata do índice (o acordo garante ganho real nestes dois anos), PLR e tíquetes. Mas, a principal conquista nossa foi ter fechado a convenção garantindo todas as cláusulas. Isso foi fruto de um esforço coletivo muito grande. Não dá para destacar uma cláusula ou outra. Todas elas são importantes na somatória das lutas dos bancários e bancárias do Brasil durante 27 anos.

No início, quando a Fenaban propôs o acordo de 4 anos, ficamos surpresos. Hoje, alguns seguimentos avaliam que se o acordo fosse de quatro anos, estaríamos protegidos diante de tantas ameaças do governo que foi eleito. O acordo de 2 anos foi uma experiência positiva que tivemos entre 2016 e 2018, porque o movimento continua firme, continua vivo. Temos muitas demandas nas agências. Ar-condicionado com problema, assédio moral, assédio sexual, falta de funcionários. São muitos problemas que temos de tratar durante o ano e nós fizemos isso bem. O ritmo de reuniões continuou. Foram mantidos os nossos encontros e conferências. Por tanto, neste intervalo que a gente tem de 2 anos tratamos essas questões e discutimos com todos os sindicatos de forma muito séria, por que as demandas são gigantescas.

Quais os maiores desafios do movimento sindical em 2018, com a implementação da reforma trabalhista e de outras medidas que retiram direitos dos trabalhadores brasileiros?

Hermelino Neto - Não conseguimos barrar o projeto da terceirização e a reforma trabalhista em 2017. Foi um balcão de negócios, onde os parlamentares que votaram a favor da reforma trabalhista foram beneficiados pelo governo golpista, o governo Temer. Apesar disso, tivemos uma grande vitória, que foi ter barrado a reforma da previdência este ano. Infelizmente, não tivemos sucesso em relação à eleição de um presidente comprometido conosco, comprometido com as lutas dos trabalhadores. Fomos derrotados no campo eleitoral e, diante disso, esta situação se torna muito mais complexa e os desafios são enormes para o futuro.

Como avalia este primeiro ano de gestão à frente da Federação? O que destacaria como mais importante para a entidade em 2018?

Hermelino Neto – O primeiro momento foi conclamara diretoria para enfrentar os desafios. Tivemos que tomar medidas difíceis em função do fim do imposto sindical. Foi necessário fazer ajustes para manter a entidade funcionando. Conseguimos manter as nossas reuniões e os nossos encontros. A nossa organização foi aprimorada. Participamos dos encontros realizados pelos sindicatos. A Conferência Interestadual Bahia e Sergipe foi realizada em um ambiente de grandes debates, foi um ano intenso e não paramos. A Federação se fez presente também nas lutas gerais do povo brasileiro, como a defesa da democracia e dos direitos sociais.

A Federação buscou ampliar também o diálogo com os bancos, levando as demandas dos sindicatos e obtendo avanços importantes na solução de problemas específicos de cada base. Pela primeira vez, a representação da Fenaban veio até a sede da Federação, em Salvador, para assinar a Convenção Coletiva Aditiva Bahia e Sergipe.

Conseguimos também realizar os 50 anos da Federação com um grande ato político na Assembleia Legislativa da Bahia, com a participação de todos os sindicatos, que foram homenageados em reconhecimento à importância para o fortalecimento da Federação. Realizamos também um ato politico e festivo, no qual homenageamos os ex-presidentes.

Fico muito feliz em estar à frente da entidade e ter tido a oportunidade de conduzir esse processo. Esse foi um ano muito intenso, de vitórias, lutas e a diretoria iniciou o seu mandato com o pé direito, enfrentando os desafios e dialogando também com os seus sindicatos. Uma das coisas mais importantes que ocorreu neste primeiro ano de gestão foi a unidade dos nossos sindicatos. Sem esta unidade, não conseguiríamos nada. Que essa unidade continue ao longo da nossa gestão.

Como a Federação dos Bancários está se preparando para enfrentar o governo de Jair Bolsonaro, que já demonstrou diversas vezes ser contra os direitos trabalhistas e o movimento sindical?

Hermelino Neto - O novo governo tem aversão à luta dos trabalhadores. Um presidente que acha que os trabalhadores têm muitos direitos. Por tanto, na cabeça dele e dos seus assessores, a ideia é destruir os direitos e as conquistas dos trabalhadores. A gente vê com bastante preocupação essas declarações de que o 13ºsalário e férias oneram os patrões, por exemplo. Estamos atentos a estas questões e a Federação dos Bancários dará sua contribuição na luta pela resistência, por mais direitos, por democracia. O tom da Federação é este e não vai mudar. Queremos e lutaremos por uma sociedade mais justa, igualitária. Logo, a nossa postura em relação ao governo eleito é a mesma postura que tivemos no passado com presidentes autoritários e entreguistas, como Collor de Melo e FHC, governos que tiveram a marca das privatizações, retrocessos e repressão. A nossa entidade vai continuar trilhando no caminho da defesa dos trabalhadores e da democracia.

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