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CAMPANHA SALARIAL
Negociação com o BNB
Após o Sindicato emitir nota conjunta com a AFBNB e a Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe solicitando a retomada das negociações, a direção do Banco do Nordeste confirmou reunião para a tarde de hoje. As conversações foram suspensas pela empresa há mais de 10 dias.
Na pauta, combate ao assédio moral, defesa dos trabalhadores grevistas, que sofrem com ameaças de retaliação e demissão, isonomia, retorno da licença-prêmio e revisão do Plano de Cargos e Remuneração (PCR).
A expectativa é de que, desta vez, a diretoria do BNB apresente propostas que contemplem as reivindicações dos empregados.
Licença-paternidade
O projeto de lei 4028/08, que prevê a criação de uma licença-paternidade de 30 dias, quando a mãe não conseguir a prorrogação da licença-maternidade, está em análise na Câmara Federal.
A proposta complementa a Lei 11.770, que beneficia as empresas participantes do Programa Empresa Cidadã, prorrogando a licença-maternidade para 60 dias, e cria a possibilidade de licença para os pais.
HSBC perde na Justiça
Depois de ter o interdito proibitório indeferido pela 29ª Vara do Trabalho, semana passada, o HSBC, não satisfeito, ingressou com ação extraordinária - mesma solicitação, só que com outro nome -, na 17ª Vara do Trabalho.
No entanto, a tentativa do banco de minar o direito constitucional de greve dos bancários foi frustrada. O juiz julgou a ação improcedente e a liminar foi imediatamente indeferida.
TEMAS E DEBATES
Militância e alianças por Rogaciano Medeiros
A eleição para prefeito em Salvador entra na reta final sem que a sociedade saiba, com confiança, qual o quadro eleitoral, quem realmente lidera a corrida ao Palácio Thomé de Souza, se é que há algum líder. Os institutos de pesquisa perderam muito a credibilidade ultimamente, devido as discrepâncias entre os índices anunciados e os resultados das eleições. Na Bahia, principalmente, depois da vitória do governador Jaques Wagner, em 2006, ninguém acredita mais em pesquisas.
Com a eleição para prefeito de Salvador, as dúvidas são ainda mais fortes, até mesmo pela disputa apertada do pleito. Para agravar a situação, os dois principais institutos de pesquisa revelam resultados distintos. Segundo o Ibope, os dois candidatos estão empatados, com 44% da preferência do eleitorado. O Datafolha dá João Henrique (PMDB) com 48% e Walter Pinheiro (PT) com 41%.
Nas ruas, o que se vê é um equilíbrio sem precedente na história política da Bahia e de Salvador. Pelo menos no volume da propaganda eleitoral das duas candidaturas. As alianças para o segundo turno deixam evidente que o PMDB não pretende apenas "ficar" com o DEM, mas, acima de tudo, busca uma relação duradora, que possa se prolongar até 2010. Espécie de pré contrato para um casamento cuja meta é o governo do Estado.
A junção do ministro Geddel Vieira Lima com o deputado ACM Neto não pode ser desprezada. O governador Jaques Wagner, ao que parece, começa a despertar para a nova composição política que se desenha e os perigos para o futuro do PT e das forças de esquerda na Bahia.
A eleição de domingo está disputadíssima. Ninguém pode dizer que já venceu. Dois fatores podem influir no resultado. Um é a quantidade de votos que as alianças pós segundo turno podem gerar para cada um dos candidatos, e o outro, ao que tudo indica o mais decisivo, é a capacidade de a militância, na boca de urna, ganhar o voto dos indecisos, que ainda são muitos. Para isso, os militantes terão de ser bem mais ousados do que foram no primeiro turno, e disputar cada eleitor até o último segundo da votação.
* Rogaciano Medeiros é jornalista
Assembléia hoje avalia proposta
Os bancários lotam hoje o Ginásio de Esporte, a partir das 18h, para avaliar e decidir se aceitam a proposta feita no final da noite de ontem pela Fenaban, que oferece 10% de reajuste salarial para quem ganha até R$ 2,5 mil e 8,15% para os salários superiores a essa faixa.
Para a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) os bancos propõem 90% do salário reajustado, acrescido de parcela fixa de R$ 966,00, limitado ao valor de R$ 6.301,00.
A proposta foi formulada ao Comando Nacional dos Bancários depois que a categoria, em quase todo o Brasil, já havia encerrado a assembléia de ontem. Por isso mesmo, a greve continua firme durante o dia de hoje. À noite, os trabalhadores decidem se aceitam o que os bancos oferecem ou mantêm a paralisação, que entra no 23º dia.
Os bancários querem 13,23%, o que inclui aumento real de salário, fim do assédio moral e das metas abusivas, entre outras reivindicações.
Os bancos têm amplas condições financeiras de atender as aspirações dos trabalhadores, diante dos lucros bilionários crescentes registrados ultimamente. Somente no ano passado, o sistema financeiro teve lucratividade líquida de R$ 57 bilhões.
BANCOS
Correção do Plano Verão
Como se não bastasse a exploração com taxas e juros abusivos, os bancos demonstram mais uma vez desrespeito com os clientes. Recorreram ao STF (Supremo Tribunal Federal) para não pagar a correção das cadernetas de poupança do Plano Verão, instituído em 1989, que soma R$ 100 bilhões.
Os banqueiros alegam que os correntistas não têm direito de ter as economias corrigidas pelo índice de reajuste que vigorava até a véspera do Plano Verão: o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que na época somou 42,72%. Além disso, o setor contesta que a lei responsável por este plano definia que o saldo das cadernetas de janeiro de 1989 (1º a 31) seria corrigido por um novo índice, com base no rendimento acumulado da LFT (Letra Financeira do Tesouro Nacional) que era de 22,35%.
Os advogados que defendem os poupadores afirmam que o índice definido pelo plano só poderia valer a partir do dia em que a lei entrou em vigor, ou seja, em 15 de janeiro. Para embasar a argumentação, eles relembram o decreto lei 2.284/86, que determinava que as cadernetas de poupança renderiam o equivalente ao IPC.
Embora a briga esteja apenas começando, a jurisprudência do STF indica que os bancos têm poucas chances de reverter as centenas de ações já vencidas pelos poupadores na Justiça.
Reunião
do Copom
Confirmada para o dia 29, a penúltima reunião do ano do Copom (Comitê de Política Monetária) tem gerado expectativas entre os trabalhadores. Atualmente em 13,75% ao ano, a taxa básica de juros (Selic) preocupa a população, que aguarda redução ou a estagnação do valor na reunião do Comitê.
Um possível aumento da Selic vai prejudicar ainda mais o consumo e diminuir o poder de compra. Além disso, atrapalha quem precisa negociar dívidas.
Queda no analfabetismo
A taxa de analfabetismo caiu no Brasil nos últimos 15 anos. A maior queda aconteceu na população com 15 anos de idade ou mais. Os dados são do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea).
O número de analfabetos passou de 17,2% em 1992, para 10% em 2007, ou seja, queda de 7,2 pontos percentuais em 15 anos. A região Nordeste possui a maior redução. No Brasil, cerca de 90% dos analfabetos estão na faixa etária de 25 anos ou mais, sendo na maior parte idosos.
SAQUE
Lei seca
Apesar de todo o estardalhaço, da mobilização nacional e do grande espaço ocupado na mídia, o balanço feito quatro meses depois mostra que, mesmo politicamente correta, a chamada lei seca apresenta resultados tímidos. Se comparados os ritmos de mortes nas estradas em julho, agosto, setembro e outubro do ano passado com o mesmo período de 2008, se verifica que a queda foi de 5% apenas.
Caso Eloá
O ministro da Justiça, Tarso Genro, sem mencionar o governo de São Paulo ou a ação policial, criticou ontem o desfecho do seqüestro de Eloá Cristina Pimentel, 15 anos, morta após ser mantida por cinco dias em cárcere privado pelo ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, 22. Segundo o ministro, o episódio deve servir para aperfeiçoar as ações técnicas.
Tortura no STF
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, entrou ontem com ação para que o STF (Supremo Tribunal Federal) decida se os crimes praticados por militares e policiais durante a ditadura, como torturas, seqüestros e assassinatos, estão cobertos pela Lei de Anistia. A OAB quer rever as ações cometidas por agentes do Estado durante o período de 1964 a 1985, conhecido como "anos de chumbo".
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