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Feliz ano novo

Crise aumenta adoecimento do trabalhador

A crise econômica e o cenário do mercado de trabalho pós reforma trabalhista tem afetado também quem está empregado. Agora, o trabalhador que já vive uma situação ocupacional de estresse, vê as constantes demissões dentro da empresa, sofre cada vez mais pressão e teme perder o emprego. Este conjunto é extremamente prejudicial à saúde. De acordo aos dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), apenas entre janeiro e setembro de 2018 foram concedidas mais de 8 mil licenças para tratamento de transtornos mentais e comportamentos adquiridos no ambiente de trabalho.

Diferente do que acontecia há alguns anos atrás, os principais motivos para consultas e pedidos de afastamento do trabalho para cuidar da saúde não são decorrentes de esforço físico. Até mesmo em profissões com alto índice de Lesões por Esforço Repetitivo (LER), a saúde mental está cada vez mais em risco. O número de consultas psiquiátricas cobertas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) comprova isso. Entre 2012 e 2017, o número de atendimentos aumentou de 2,9 milhões para 4,5 milhões por ano.

O diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) Clemente Ganz Lúcio avalia os índices com preocupação. “Pressão, estresse, medo, coerção que muitas veze acontece no posto de trabalho pela chefia ou pela máquina que acaba acelerando e pressionando por resultados. A busca da empresa querendo que os trabalhadores entregue resultados, melhorar o lucro, melhorar o atendimento em termos de quantidade na condição do atendimento ao público. Tudo isso tem levado as pessoas a terem uma vida corrida”.

Sobre como todo este conjunto afeta nas atitudes e no dia-a-dia do empregado, Clemente Ganz fala sobre os trabalhadores que fazem entregas. “Um exemplo é a forma alucinada que os meninos e as meninas pilotam as motos pela cidade o fazem para fazer os seus serviços e trabalhos, muitos deles com prazos de entrega, cometendo verdadeiros absurdos no trânsito, e muitos deles pressionados por esta necessidade de entrega de resultados, pelo medo do desemprego ou pela cobrança que vai haver em relação aquilo que a empresa pretende como resultado econômico”.

Estudos feitos em diversos países confirmam às doenças psicossociais como as que predominam no mundo do trabalho. “O poder público e os sindicatos não sabem exatamente como tratar com este tipo de problema porque o tratamento é muito mais complicado, comprometendo as condições de vida de forma mais duradoura do que acontecia com um problema físico ou motor. São novos problemas que afetam as condições de trabalho e tem afetado gravemente a condições de saúde dos trabalhadores e trabalhadoras mundo à fora e no Brasil”, lamentou o diretor técnico.

Por Rafael Santos

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