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Dieese: primeiro turno mostrou que ‘visão de extrema direita’ não se consolidou

O diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Júnior, interpreta os resultados do primeiro turno das eleições municipais, deste domingo (15/11), como uma demonstração de que “a onda contra a política passou”. Na coluna do instituto no Jornal Brasil Atual desta segunda-feira (16), ele destaca que, ao contrário de 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente, impulsionando um movimento de extrema direita, o pleito municipal mostrou que esse espectro político se modificou.

De acordo com Fausto, entre os municípios que já elegeram prefeitos em primeiro turno, o que se viu “foi uma não consolidação dessa visão da extrema direita”. “Ou seja, a questão vinculada ao atual presidente da República enfraqueceu. Boa parte dos candidatos apoiados por ele não tiveram sucesso na eleição. Mesmo nas Câmaras Municipais essa visão da extrema direita não se consolida”, afirma Fausto.

Bolsonaro deixou explícito seu apoio ao candidato Celso Russomanno (Republicanos), em São Paulo, que ficou em quarto lugar na disputa com pouco mais de 10% dos votos. A Delegada Patrícia (Podemos), em Recife, Bruno Engler (PRTB) em Belo Horizonte e o Coronel Menezes (Patriota) em Manaus, todos apadrinhados pelo presidente, também ficaram longe da vitória. Ainda outras 18 capitais terão segundo turno.

As eleições para o centro e a esquerda
Na avaliação do diretor técnico do Dieese, estas eleições se deslocaram mais ao centro e até para a esquerda. “Um espectro político muito mais interessante do que a gente viu sair das urnas em 2018”, ressalta.

Por outro lado, o país registrou um recorde de abstenção, que ultrapassou 30% em várias capitais, segundo o jornal O Globo. Ainda assim, de acordo com Fausto, a falta de comparecimento às urnas está muito mais ligada à pandemia. Segundo ele, “nesse atual momento em que sair de casa pode ser um risco, eu diria o contrário. Nós tivemos uma votação bastante significativa. E isso é um recado da população em geral pelo seu apreço, valorização da democracia, pela escolha dos seus candidatos e vereadores”, aponta.

Além da crise sanitária, as eleições tiveram ainda como pano de fundo a crise econômica, que levou à alta do desemprego e da inflação, com o aumento dos preços das cestas básicas, afetando sobretudo os mais pobres. Segundo o diretor do Dieese, todo esse contexto pesou para que a renovação nos quadros políticos dos municípios fosse menor. Belo Horizonte, Campo Grande, Curitiba e Palmas foram algumas das cidades que mantiveram no cargo seus atuais prefeitos.

“A crise econômica certamente se coloca em todo o período eleitoral e agora não foi diferente. Uma terrível insegurança em relação ao futuro leva a votações mais conservadoras. O que a gente assistiu foi isso, houve uma troca bem menor de prefeitos, de partidos que já estavam no poder. E vai se assistindo um deslocamento mais para o centro”, pondera.

Os vereadores eleitos
As câmaras municipais, contudo, mostraram também um avanço das candidaturas de mulheres e LGBTs. E moradores das periferias de grandes cidades também garantiram representatividade para o mandato do ano que vem. “É mundo real chegando nas Câmaras de Vereadores. Elas são a expressão de fato das necessidades dos municípios, das relações de poder de cada uma das cidades. Temos que ver como isso vai se desdobrar para dentro dos municípios”, finaliza Fausto.

Fonte: Rede Brasil Atual.

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