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Escrito por Ana Gabriela Pereira Guimarães
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04/02/2010 |
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Ana Gabriela Pereira Guimarães
A crise geral que acomete o mundo moderno
em toda parte e em quase toda esfera da vida se manifesta diversamente em cada
país, envolvendo áreas e assumindo formas diversas. Mas diante da crise, do
caos, o que fazer? Acovardar-nos e cruzar os braços acreditando que tem que ser
assim? Todas as grandes mudanças ocorridas no mundo são resultado da força, da
coragem, da perseverança e da atitude daqueles que se fizeram verdadeiros
líderes; parafraseando o companheiro Euclides Fagundes Neves em seu livro
Bancos, Bancários e Movimento Sindical, " ativistas que lutaram pela
transformação da sociedade, que tombaram em diversas frentes de luta,
acreditando num Brasil vivo, livre das amarras do grande capital internacional,
independente." Sonho? Utopia? Acreditem: possibilidades...
Ao analisarmos a História chegamos à triste
constatação que a busca incessante pelo poder fez com que milhões de vidas
fossem perdidas em todo o mundo, em nome de governos e lideranças ditadores e
déspotas--- e a motivação para o uso da violência foi e é sempre a mesma: a
manutenção do poder.
O filósofo italiano Nicolau Maquiavel, em
"O Príncipe", considerado um dos principais livros da ciência política moderna,
afirma que, para manter os poder, um déspota deve governar seu Estado mantendo
o equilíbrio entre o amor e o medo. "Mas desde que o amor e o medo dificilmente
podem existir em conjunto, é muito mais seguro ser temido do que amado",
ensina. Neste sentido, tais ditadores seguiram o ensinamento à risca e fundaram
governos que se mantiveram pela imposição do medo.
Mas Platão, em A República, já afirmava que
"o homem tirânico é aquele que se comporta acordado, como se comportava durante
o sono". Ou seja, a paixão incontrolada pelo poder acaba por arrastar milhares
a um sentimento de grandeza que legitima seus atos mais cruéis. Mas o eu
geralmente se vê, é na verdade um retrocesso no processo histórico e democrático
de um país, cujas feridas da violência
marcam mais profundamente do que qualquer avanço econômico.
Faz-se necessário tocar nisso tudo para que
esse conhecimento sirva a uma nova tentativa de implementar púberes poderes,
mas à busca de focar-se em não deixar que se cometam mais ou menos equívocos,
de observar as conseqüências das nossas escolhas, atitudes e posturas.
O traço político que caracteriza a
modernidade é o abandono completo da tentativa de formulação de uma "nova
humanidade", algo em busca de transformações expressivas e bruscas como propõe um
revolução; o que não necessariamente esgota a possibilidade do processo de aperfeiçoamento
e busca de um melhoramento político, econômico e social.
A justiça, a solidariedade, a dignidade e a
comunhão de valores centrais ainda estão por vir, mas para isso, seria
necessária a formulação de uma nova teoria, pois essas que já existem ou foram
interpretadas de uma maneira errada, ou possuem disformismos que colocados em
prática não possibilitam resultados coerentes. É mais reconfortante pensar
desta maneira, refletir para formular novas saídas, do que acreditar que o ser
humano não possibilitará saídas na medida em que se acredita que o grande
problema da humanidade é a própria humanidade e não as teorias.
Pensemos nisso.
*Ana Gabriela Pereira Guimarães -
Licenciada em História pela Uneb e ex-funcionária do Bradesco.
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