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CUT convoca marcha de 20 mil a Brasília no 15 de agosto


Por Julio Turra

As atividades deste início de julho da Direção Executiva Nacional da CUT em Brasília foram muito positivas.


 

No dia 2 uma delegação da central, em conjunto com o Comitê pela Apuração do Assassinato de Anderson Luiz (sindicalista carioca morto em 10 de abril de 2006), foi recebida pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, obtendo o compromisso de envolvimento direto da Policia Federal na apuração desse crime, mais um da lista de militantes sindicais que perderam a vida e cujos responsáveis não são conhecidos até hoje. A delegação entregou ao ministro uma relação de casos recentes de assassinatos de sindicalistas ou de ameaças recebidas por companheiros em diversos pontos do país.


 

Em 4 de julho, 500 sindicalistas lotaram o auditório Nereu Ramos no Congresso Nacional, com a presença de servidores federais em greve do Incra, Ministério da Cultura e da Fasubra (Universidades), ao lado de outras categorias do setor privado. De lá saíram comissões para pressionar deputados e senadores a votarem com a CUT contra o PLP 01 e pela manutenção do veto de Lula à Emenda 3.


 

Nos panfletos distribuídos desde a manhã no aeroporto e no final da tarde na rodoviária de Brasília, se explicava a posição da CUT também em defesa do direito irrestrito de greve, da Educação Pública (piso salarial da CNTE) e da Previdência Pública Universal com inclusão de trabalhadores e manutenção dos direitos (um jornal específico sobre a Previdência foi lançado nesse dia).


 

Este 4 de julho "esquentou os motores" para uma grande manifestação de rua em Brasília em agosto, que a reunião da Executiva nacional da CUT, ampliada com representantes de CUTs estaduais e ramos, definiria na sua reunião do dia 5.


Principais decisões


Informada pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos que esta havia marcado um acampamento em Brasília entre os dias 14 e 16 de agosto, levantando reivindicações de contrato coletivo nacional de trabalho, contra o fator previdenciário e contra o interdito proibitório (usado pelos patrões para atacar as greves), a discussão na Executiva nacional apontou a data de 15 de agosto para a manifestação de rua em Brasília, preparada por caravanas organizadas nos Estados com a meta mínima de 20 mil participantes.


 

Nas palavras de Artur Henrique, presidente da CUT, agora é organizar esta mobilização "sindicato por sindicato, assembléia por assembléia".


 

Além dos pontos da plataforma agitada em 4 de julho, também a luta pela Reforma Agrária e contra as Fundações Estatais foram incorporadas na pauta do 15 de agosto.


Assim como na questão das Fundações Estatais (instituições de direito privado beneficiadas com recursos públicos, que participam do desmonte do Estado), a Executiva da CUT adotou resolução contrária ao PL (de autoria de Sarney) que cria Zonas de Processamento de Exportações (ZPEs), estendendo para o Brasil o modelo das "maquiladoras" do México e América Central e das ZPEs da China (enclaves territoriais onde as multinacionais ficam isentas de impostos para importar e exportar).


Outra decisão importante foi a de apoiar um plebiscito em setembro tendo como único tema a recuperação para o patrimônio público da Vale do Rio Doce, privatizada de forma fraudulenta há dez anos por FHC. Isso porque circulavam propostas vindas de outros setores (como Assembléia Popular e Conlutas) que desfocavam o tema da Vale dentre outras questões que seriam submetidas a plebiscito popular.


Audiência com Lula


Para esse resultado positivo da reunião da Executiva nacional da CUT pesou, sem dúvida, as dezenas e dezenas de moções que os sindicatos filiados enviaram à direção da central, pedindo continuidade para as jornadas de luta de 10, 23 de abril e 23 de maio, propondo que fosse organizada a marcha a Brasília e que ela exigisse audiência com Lula para discutir o atendimento das reivindicações!


Inicialmente prevista para este começo de julho, a manifestação de massa em Brasília agora está convocada de forma definitiva para 15 de agosto.


Este adiamento, que chegou a ser solicitado, além dos metalúrgicos, por outros setores (como os professores, em período de férias), ao contrário de ser "um golpe" - como apressou-se a denunciar a Conlutas que não tinha qualquer participação na sua organização - acabou propiciando um positivo dia de luta em 4 de julho e somando mais forças para uma verdadeira ocupação de Brasília no início do segundo semestre.


Mobilização


Para tanto é preciso arregaçar as mangas desde já, abrindo o debate nas bases dos diferentes setores sobre a organização da ida de caravanas a Brasília, convocando assembléias e reuniões preparatórias, levantando as reivindicações específicas de cada setor que traduzem os eixos gerais da manifestação de 15 de agosto.


Vamos nos concentrar em Brasília num momento em que o Congresso nacional volta do recesso e se prepara para votar a PLP 01, que incide na mobilização de todos os servidores. Num momento em que as pressões para encontrar um substitutivo à Emenda 3 vinda dos empresários, retornarão ao cenário!


Os que querem apenas fazer "denúncias" do governo, sem nada dele cobrar, agora só organizam seminários sobre a Previdência (como a Conlutas) e se mobilizam para uma Assembléia Popular em...outubro!


Mas a hora da mobilização é agora: todos juntos com a CUT em 15 de agosto em Brasília para afirmar a força do movimento sindical e popular, a única que pode impor mudanças de rumo ao governo Lula a partir do atendimento de nossas reivindicações.


   *Julio Turra é da executiva nacional da CUT.

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