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Domínio intelectual e emocional nas organizações

Na sociedade capitalista o trabalho é apropriado pelas empresas e torna-se uma premissa delas próprias que por sua vez apresentam-se com um enorme poder diante do trabalhador. Um poder vital, determinante na vida do indivíduo. Ela (empresa) mostra-se responsável por preencher uma necessidade humana, quase fisiológica, ou até mais do que isso - ela pode representar a própria sobrevivência do ser. Sendo assim, de várias maneiras, a Organização desenvolve os mecanismos de culto a ela própria e faz com que as suas verdades sejam aceitas como uma religião. O dogmatismo velado conduz as pessoas a se questionarem apenas sobre como se adequar melhor àquelas “verdades”. Não é permitido o questionamento de princípios, e sim uma reflexão sobre como absorver a ideologia proposta para se adaptar melhor a ela. Então, o indivíduo passa a desenvolver argumentos para o autoconvencimento. Os departamentos de Recursos Humanos não são emancipatórios e funcionam, no final das contas, para adequar o trabalhador ao meio.

Os dirigentes de diversas organizações muitas vezes aparecem como representantes de um poder supremo na empresa. Na maioria das vezes, de maneira sutil ou não, inibem o exercício da dialética e oprimem a subjetividade, embora o discurso para os empregados seja o de que eles devem ter autonomia e criatividade. Desta forma, os gestores surgem como pastores que conduzem o seu “rebanho” ao caminho do “bem”, mas, as “ovelhas” só são boas enquanto são obedientes. Apesar da “liberdade” oferecida, se elas se desviarem do caminho serão “sacrificadas”.

A autonomia dada ao sujeito trabalhador é canalizada apenas para responder aos processos de dominação. A coerção se veste de liberdade. Desta forma, promove-se a adesão psicológica e ideológica do trabalhador. A partir daí, surge um mecanismo muito mais sutil, sofisticado e perigoso de exploração. Há, não mais uma apropriação mecânica da força de trabalho, e sim a apropriação intelectual e emocional do indivíduo. Esta é uma característica cada vez mais presente nas empresas atualmente.

Neste contexto, as contradições, as crises, os conflitos, etc. organizacionais teriam como principais responsáveis os próprios trabalhadores, que por não conseguirem responder a uma demanda imposta pela empresa, veem a incapacidade como um “fracasso” exclusivamente seu. Sendo assim, o peso da sua própria culpa, oriundo do seu próprio ”pecado”, o esmaga e a Organização permanece acima do bem e do mal, fazendo com que a culpa alimente o culto, que por sua vez, precisa alimentar a culpa que coloca o trabalhador na sua permanente insuficiência.

O número de doenças psicológicas provenientes do trabalho vem crescendo de forma preocupante e promovendo o afastamento e a incapacidade de profissionais das suas atividades laborais. As Organizações, com as suas políticas patologizantes, contaminam o local de trabalho, adoecem seus trabalhadores e ainda assim exigem deles saúde. No entanto, é evidente que não existe vida saudável em um ambiente contaminado. Portanto, há uma necessidade urgente de muitas empresas curarem a si próprias, antes de qualquer coisa.

A história nos mostra que foi e é o movimento dos trabalhadores que civilizou e civiliza as relações de trabalho. A ganância capitalista quer impor a desregulamentação, a desagregação e potencializar a exploração ao máximo, ou seja, o capitalismo se esforça para promover a barbárie no mundo do trabalho. Hoje no Brasil estamos vivendo isso de forma muito clara. E não há nenhum outro elemento capaz de ser o contraponto a essas imposições destrutivas, senão a luta unificada dos trabalhadores.

FORA TEMER!

elder fontes 090db*Elder Fontes – é Psicólogo, Administrador de Empresas, pós-graduado em Psicologia Organizacional, pós-graduando em Terapia Cognitivo Comportamental. Secretário Geral do Dieese Bahia e diretor Socioeconômico do Sindicato dos Bancários da Bahia.

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