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Juros Altos: “Difícil de matar”


Desde a primeira vitória de Lula em 2002, muita coisa mudou para melhor. A política macroeconômica, todavia não. Herdada do período anterior, ela foi ficando e ficou.

Nos primórdios do primeiro mandato havia o argumento plausível de que o país estava à beira do colapso e a situação exigia cautela. O descontrole das contas públicas e o descrédito internacional foram superados ao longo do último quadriênio e mesmo assim, ela, a tríade, constituída por juros altos, câmbio apreciado e superávit primário elevado, segue gozando relativa saúde.

E olha que houve luta. Integrantes do governo, do Congresso Nacional, da base aliada, dos movimentos sociais, da intelectualidade, do empresariado, no âmbito da luta política e de idéias travaram duro combate contra esse “monstro de três cabeças”. É claro que tamanha pressão provocou alguns pequenos ajustes, contudo sem mudar-lhe a essência.

Duas perguntas surgem: de onde vem tanta vitalidade?  E se tal orientação é tão nociva assim por que então a economia melhorou?

O Brasil, nos final dos anos 80, foi enlaçado pela chamada globalização neoliberal. Nos anos 90, sob o patrocínio da aliança PSDB-PFL, foi aplicado o receituário neoliberal e desde então o país está submetido a uma espécie de ditadura do capital financeiro. Não é fácil se libertar dela. É uma tarefa que nas condições do Brasil demanda uma transição tortuosa e difícil. Exige força e convicções. Maioria política e social no plano interno e alianças fortes na América Latina e no mundo.

A situação econômica do país não melhorou pelas virtudes da política macroeconômica; melhorou “apesar dela”. Os países ditos emergentes cresceram em média, no último período, 7% ao ano. Aproveitaram muito mais o atual período de aquecimento da economia mundial. Deram-se melhor porque ao contrário do Brasil, de um modo ou de outro, souberam contornar ditames do capital financeiro.

No primeiro mandato, o presidente Lula governou sob uma correlação de força desfavorável. O Palácio do Planalto sob bombardeio político contínuo. A direita tudo fez para tentar “impedi-lo de governar”. O segundo mandato instaurou-se sob outra circunstância. Uma coalizão de 11 partidos, a maioria dos governadores, maioria no Congresso Nacional. A oposição, momentaneamente, combalida e dividida. Quadro externo favorável. Como já foi dito, nesse espaço, “melhor impossível”.

Mesmo, assim, a política macroeconômica ortodoxa segue ditando o ritmo do conjunto do processo. Foi emblemático o fato já alardeado por muitos. Num dia, o presidente Lula anuncia o PAC. No outro, o Copom reduz a intensidade da queda da taxa de juros.

É certo que o presidente Lula não ficou de braços cruzados. Apesar de manter Henrique Meireles, fez retirar do Copom, diretores ultra-neoliberais. Contra a ambição com conservadorismo, nomeou um desenvolvimentista para BNDES.

A decisão tomada pelo Copom, no último dia 6, de reduzir em meio ponto percentual a taxa básica de juros, a Selic,  foi importante. O campo desenvolvimentista ganhou esse “round”. Todavia , mesmo que a taxa Selic tenha atingido o menor patamar desde que passou ser aferida, os juros reais de 8.3% ainda colocam o Brasil no topo dos juros altos.

Todavia, o importante é progressivamente se acumulam forças e convicções na base do governo e na sociedade como um todo dos malefícios dessa política macroeconômica. Além da pressão política e da luta de idéias, essa “guerra” requer mobilização social. É preciso espalhar aos quatro ventos que cada décimo da taxa juros repercute intensamente na qualidade de vida do povo e na situação do Estado brasileiro.


*Adalberto Monteiro, Jornalista e poeta, é presidente do Instituto Maurício Grabois.
Fonte: www.vermelho.org.br


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