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Um atentado à democracia

Merece repúdio a determinação do presidente Bolsonaro para comemorar nos quartéis o golpe militar ocorrido em 1964 e que completa 55 anos no corrente ano. O fato deixa todos os que lutam pela democracia indignados.

A ditadura militar trouxe grandes prejuízos para a população, atentando contra os mais elementares direitos humanos, aumentando as desigualdades sociais, a falta de transparência e a corrupção desenfreada, a censura, as prisões, os assassinatos, as torturas.

Para se ter uma ideia, a Comissão da Verdade estima em 957 mortos, atingindo não apenas aqueles engajados na luta pela democracia, mas também outros segmentos da população que não tinham envolvimento com a política, a exemplo dos cerca de 8 mil índios que morreram durante a construção da Transamazônica de 1971 a 1985.

Alguns podem argumentar que durante na ditadura militar houve grande crescimento econômico. No período de 1967 a 1974, a economia brasileira cresceu a uma taxa anual de 9,3%, mas sem distribuição justa de renda. Os beneficiados foram as elites nacional e internacional. A dívida externa aumentou de US$ 2,3 bilhões, em 1964, para US$ 102,2 bilhões, em 1984. A inflação saltou de 85%, em 1964, para 178%, em 1984. A pobreza disparou.

As desigualdades sociais cresceram durante a ditadura militar, os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres. Em 1964, os 10% mais ricos detinham 38% da renda nacional. Em 1980, passaram a ter 51%. O salário mínimo que era de R$ 1.358,28 em 1964 caiu para R$ 759,18, em 1984 (valores estão corrigidos para 2015 pelo IGP-DI/FGV). O índice GINI - que mede as desigualdades sociais - pulou de 0,54 para 0,59. Esse indicador varia de 0 a 1, quanto mais próximo a 1 maior a desigualdade social.

Comemorar o golpe militar significa uma afronta à democracia, um desrespeito ao artigo 4º da Constituição Brasileira que trata, dentre outras questões, dos direitos humanos e da defesa da paz. Não se comemora a tortura, a desigualdade social, a censura, a corrupção, o assassinato - marcas inquestionáveis da ditadura militar. Nosso desafio é construir uma sociedade com paz e Justiça Social.

IMAGEM ARTIGO 2 7204d Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ (Instituto de Estudos e Ação Pela Paz com Justiça Social).

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