Ata do Copom sinaliza novos aumentos de juros
A ata salienta que "os desdobramentos inflacionários e, mais importante, as expectativas inflacionárias continuam deteriorando. Apesar da desaceleração de boa parte das economias, o índice de inflação global está no mais alto patamar dos últimos nove anos. Isso ocorre porque a redução do poder de compra ainda não é efetiva." Subentende-se que será necessário reduzir o poder de compra e a demanda dos consumidores para garantir a estabilidade dos preços, o que para a equipe do senhor Henrique Meireles significa aumento de juros.
Interesses
Os tecnocratas do BC agem em nome do combate à inflação e apresentam suas conclusões como se fossem exclusivamente técnicas e matematicamente científicas. "O Comitê acredita que a atual postura de política monetária, a ser mantida enquanto for necessário, irá assegurar a convergência da inflação para a trajetória das metas", asseguram na ata.
Todavia, inúmeros economistas, políticos e cientistas sociais suspeitam que a ideologia que, neste caso, desfila com as roupas da ciência, na verdade oculta os interesses do capital financeiro no aumento constante dos juros. Afinal, o Brasil mantém o título em nada honroso de campeão mundial dos juros altos. Muitos países com inflação menor ou equiparável à nossa praticam taxas reais de juros bem mais moderadas e palatáveis, em alguns casos até negativas (menores que o índice de inflação).
Sabe-se que os interesses associados ao desenvolvimento nacional, bem como os da classe trabalhadora, são afetados negativamente pela alta dos juros. Mas, em contrapartida, há quem ganha (e muito) com a atual política monetária. São os agiotas, os detentores dos títulos públicos, os especuladores, inclusive estrangeiros. Esses estão ganhando rios de dinheiro e advogam a independência do Banco Central. Pouco se importam com o desenvolvimento do país.
Mais que técnica, estamos diante de uma questão eminentemente política. A sinalização do Banco Central é um motivo a mais para ampliar os esforços de mobilização popular com vistas à manifestação convocada pela Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) para o próximo dia 19 (quinta-feira) em Brasília.

