Potências européias não querem desenvolvimento da AL
A V Reunião de Cúpula América Latina-União Européia, realizada nos dias 16 e 17 de maio na capital do Peru (Lima) com a presença de 45 autoridades dos dois continentes, foi marcada por muita demagogia, conforme assinalou o presidente da Bolívia, Evo Morales.
Por Umberto Martins*
Acabou com as habituais declarações genéricas de boas intenções, uma controversa proposta de Acordos de Associação (rechaçada pelas forças progressistas européias e americanas) e a ausência de sugestões e iniciativas efetivas para resolver os problemas abordados ("Pobreza, desigualdade e inclusão" e "Desenvolvimento sustentável: meio ambiente, mudança climática e energia").
Além disto, os governantes mais progressistas foram cerceados. Os líderes de esquerda mais combativos, comprometidos com o socialismo, não puderam falar nas sessões. Conforme observou o presidente boliviano, "se queremos acabar com a pobreza isso só acontecerá com o fim do sistema capitalista".
A reunião foi liderada por representantes do grande capital internacional e está compreendida na lógica da globalização neoliberal. As potências capitalistas da Europa não têm interesse no desenvolvimento sustentável da América Latina. Todavia, cumpre assinalar que a declaração final da cúpula contém aspectos positivos, como a condenação do bloqueio dos EUA contra Cuba e "a aplicação das disposições extraterritoriais da Lei Helms-Burton".
Contradições entre EUA e UE
O líder revolucionário cubano Fidel Castro também fez uma análise crítica da cúpula, que em sua opinião explicitou algumas contradições entre as potências imperialistas. Fidel afirmou em artigo sobre a reunião que os Estados Unidos e a União Européia (UE) são como "dois lobos famintos" disfarçados de "avós boazinhas" em uma disputa pela "chapeuzinho vermelho", em alusão à América Latina.
"Os Estados Unidos e a Europa competem entre si e contra si pelo petróleo, as matérias-primas e os mercados", salientou o comandante em texto publicado no jornal Granma. Acrescentou que reunião realizada em Lima, "se falou em inglês, alemão e outros idiomas europeus (...) como se no México, Brasil, Peru, Equador e outros, os índios, negros, mestiços e brancos" falassem esses idiomas.
Outro caminho
Afirmou também que desde a primeira Cúpula "nada mudou, exceto a insustentável e atroz exploração capitalista", que se aprofundou. Temos, hoje, 200 milhões de pobres na região. A experiência indica que os povos e nações latino-americanas têm mais a perder do que a ganhar com tais reuniões.
O caminho da América Latina no rumo da justiça social, do desenvolvimento e da superação da pobreza não passa por acordos de livre comércio com os Estados Unidos ou União Européia. Deve ser orientado noutra direção, priorizar a integração política e econômica solidária dos países americanos e ter por fundamento os interesses e direitos dos povos, conforme propõe a "Declaração da Cúpula dos Povos" (realizada também em Lima nos dias 13 a 16 de maio), cuja íntegra é reproduzida abaixo.
*Jornalista, assessor da CTB

