Concentração no sistema financeiro do Brasil cresce ainda mais em 2008
Os números do BC
O termômetro usado pelo Banco Central para medir a concentração bancária é o IHH, ou índice Herfindahl-Hirschman, considerado uma das ferramentas mais importantes de análise pelos órgãos de defesa da concorrência. Com a alta registrada no ano passado, o índice rompe a fronteira que separa mercados com baixa concentração dos mercados com moderada concentração.
Além do critério de ativos, o BC calcula o IHH também para operações de crédito e depósitos. No caso do crédito, o IHH subiu de 0,1028 para 0,1315 entre junho e dezembro de 2008, e para os depósitos, aumentou de 0,1057 para 0,1315. Em ambos os casos, o nível de concentração já havia passado de baixa para moderada mesmo antes da crise.
Segundo o BC, pesou no aumento da concentração a aquisição das operações do ABN Real pelo Santander e a compra de dois bancos estaduais (de Santa Catarina e do Piauí) pelo Banco do Brasil. O BC prevê que, neste ano, o índice de concentração se acentue mais um pouco porque há outras operações importantes em curso, que não haviam sido concluídas até fins de 2008. É o caso da fusão entre Unibanco e Itaú e da compra da Nossa Caixa e de metade do Votorantim pelo BB.
Outros números
No ano passado, o BC já havia divulgado outros números que confirmavam o aumento da concentração bancária. No fim de 2007, os cinco maiores bancos que atuam no país detinham 52,32% dos ativos, o equivalente a R$ 1,3 trilhão. No final do ano passado, esses bancos passaram a concentrar 65,72% dos ativos ou R$ 2,04 trilhões. Entre os dois períodos, o volume de ativos concentrado nos cinco maiores bancos cresceu 53,85%.
Atualmente, os dez maiores bancos que atuam no país respondem por 94% das 18,9 mil agências bancárias em funcionamento. Há dez anos, essa proporção estava em 76%. Se considerados apenas os cinco maiores bancos, a concentração chega a 90,1%, contra 57,4% em 1999.
Fonte: Seeb São Paulo com Valor Econômica e Folha

