Brasil sofre maior deflação desde 93
Com economia travada e populismo cambial, IGP-10 deve fechar 2009 em queda. Com a economia travada, a taxa acumulada em 12 meses do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) até agosto, que registra deflação de 1,04%, foi a menor, nesse tipo de comparação, da série história iniciada em 1993.
A deflação também foi puxada pela valorização do real ante o dólar, que contribuiu para a desaceleração dos preços de produtos cujos preços estão relacionados, direta ou indiretamente, à cotação da moeda norte-americana. Para o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, o dado do indicador reforça a hipótese de uma taxa anual negativa, não só para o IGP-10, como para toda a família dos IGPs em 2009.
"Agora, vemos que essa possibilidade, de se encerrar o ano com taxas próximas de zero, ou até negativas, tem mais chance acontecer", previu. Embora não seja usado como indexador de preços, o IGP-10 costuma sinalizar as evoluções das famílias dos IGPs. Quadros lembrou que, desde o início do ano, somente duas taxas mensais do IGP-10 foram positivas.
Commodities
Para ele, uma das grandes causas da grande quantidade de taxas negativas mensais este ano foi o comportamento dos preços agrícolas, principalmente commodities, que apresentaram recuos expressivos de preços ao longo de 2009. Para setembro, Quadros disse não ser impossível nova deflação.
Isso porque as commodities agrícolas, também determinantes para a deflação mensal de 0,60% no IGP-10 de agosto, podem continuar a registrar taxa negativa de preços. Com isso, derrubaria novamente o IPA, que detecta a inflação atacadista e tem participação de 60% no total dos IGPs.

