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Seminário discute Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo

Lançado em 2005, o Pacto reúne empresas que assumiram o compromisso de cortar relações comerciais com agentes econômicos envolvidos em casos de trabalho escravo

Para avaliar os resultados do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, que completa quatro anos em 2009, aconteceu nesta quarta-feira (18) o 2º Seminário Nacional sobre o tema, em São Paulo. A coordenadora dos Grupos Móveis de Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho e Emprego, Giuliana Cassiano, participou do evento que discutiu a fiscalização do MTE nas cadeias produtivas e atividades econômicas em que os flagrantes de trabalho escravo contemporâneo são mais recorrentes.

Lançado em 2005, o Pacto Nacional reúne empresas que assumiram o compromisso de cortar relações comerciais com agentes econômicos envolvidos em casos de trabalho escravo e de promover o trabalho decente no Brasil. Uma iniciativa do Instituto Ethos e da ONG Repórter Brasil, com apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o ponto de partida do Pacto é o rastreamento de cadeias produtivas que exploram trabalho escravo e fornecem bens a grandes grupos econômicos brasileiros e transnacionais, coibindo o uso da mão-de-obra escrava nessas cadeias por meio de restrições comerciais e financeiras às pessoas físicas e jurídicas que fizerem uso de condições de trabalho caracterizadas como escravidão.

O Pacto prevê ainda ações como regularização das relações trabalhistas; apoio a ações de informação aos trabalhadores mais vulneráveis ao aliciamento; ou treinamento e aperfeiçoamento profissional de trabalhadores libertados.

Ao todo são mais de 80 signatários, entre redes supermercadistas, grupos industriais e financeiros, entidades representativas de empregadores e organizações não-governamentais que apóiam essa iniciativa.

Lista Suja - Semestralmente, o Ministério do Trabalho e Emprego divulga em seu site um Cadastro de Empregadores flagrados pelo Grupo Especial Móvel de Fiscalização utilizando trabalhadores em condições análogas à escravidão, a chamada "lista suja".

Essa listagem é usada pelos articuladores para denunciar o uso da mão-de-obra escrava no país, cobrando dos órgãos envolvidos com o Pacto sua parte no acordo.

"O Grupo Móvel tem como finalidade retirar trabalhadores dos locais em que estão sendo escravizados, assegurar-lhes o recebimento das verbas trabalhistas devidas e, através de relatórios circunstanciados, acionar outros poderes para as demais providências cabíveis", explica a secretária de fiscalização do MTE, Ruth Vilela.

A secretária informa que a inclusão do nome do infrator no cadastro acontece somente após a conclusão do processo administrativo originário dos autos de infração lavrados no decorrer das inspeções. A exclusão, por sua vez, depende da conduta do infrator, monitorada pela inspeção do trabalho, ao longo de dois anos. "Não havendo, nesse período, reincidência do ilícito e se pagas todas as multas resultantes da ação fiscal e os débitos trabalhistas e previdenciários, o nome do infrator é retirado do cadastro", afirma.

Em sua atualização mais recente, o cadastro divulga 201 nomes de pessoas físicas e jurídicas envolvidas com o trabalho análogo a de escravo no país..

"Um dos efeitos mais contundentes do cadastro é impedir o acesso de empregadores e empresas que dele constam a linhas de crédito e a incentivos fiscais junto a bancos oficiais e privados", destaca Ruth.

O Cadastro dos Empregadores, com a exclusão judicial, está disponível no site do MTE, no endereço http://www.mte.gov.br/trab_escravo/Lista_2009_02_25.pdf

*MTE

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