Brasileiros trabalham 147 dias de 2009 para pagar impostos
João Pedro Pitombo, do A TARDE
Materiais como cadernos e lápis tem 34,99% de impostos imbutidos no valor final ao consumidor
O brasileiro, definitivamente, vive para pagar impostos. Logo que nasce e veste sua primeira fralda descartável é tributado em 54,75%. Anos depois, se prepara para o primeiro dia de aula. Comprou caderno e lápis? Imposto de 34,99% sobre o valor do produto. Errar é mais caro: se quiser uma borracha, a fatia para os cofres públicos é de 43,19%. E assim o cidadão segue pagando tributos durante toda a vida. Até o último suspiro, quando é tributado em 35,93% na aquisição de uma urna funerária.
E nesta quarta, 27 de maio, é um dia especial para os pagadores de impostos: é quando são completados 147 dias de trabalho no ano. Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), este é o tempo necessário que o brasileiro deverá trabalhar em 2009 exclusivamente para o pagamento de tributos das esferas federal, estadual e municipal. Este índice é quase o dobro do que se pagava na década de 1970, quando eram necessários 76 dias de trabalho para pagar o total de tributos.
Com carga tributária que consome 40,15% dos rendimentos do trabalhador, o Brasil é um dos países onde mais se sente o peso do imposto no bolso do trabalhador. Na Bahia, segundo o Instituto de Auditores Fiscais, a carga tributária está no mesmo patamar da média nacional. A maior parte - 22,54% - dos tributos é debitada nos impostos sobre o consumo, embutidos no preço final dos produtos. Em seguida vêm os tributos sobre os rendimentos, como o Imposto de Renda, que possuem uma fatia de 14,65%. A menor parcela tributária é referente ao patrimônio com 2,96% do total.
Sem contrapartida - O grande problema é que os impostos nem sempre são revertidos em serviços essenciais de qualidade, gerando custos extras para o cidadão. Segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE, o brasileiro com vencimento entre um e 40 salários mínimos ainda gasta 8,15% dos rendimentos com transporte público, 9,5% com serviço de saúde e medicamentos, além de 6,8% com educação. Ou seja, os impostos acrescidos do pagamento de serviços privados que deveriam ser garantidos pelo Estado, representam 64,6% do orçamento do brasileiro.
A Tarde

