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Um Grande GRITO em Defesa da Reforma Agrária

Cerca de 5 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais de diversos estados ocuparam Brasília nesta terça-feira, 26, para participar das mobilizações do Grito da Terra Brasil 2009. Segundo David Wylkerson de Souza, vice-presidente da CTB e secretário geral da Contag, hoje foi o Dia do Grito pela Reforma Agrária. 
A CTB está participando ativamente com os trabalhadores e trabalhadoras rurais no Grito da Terra 2009. A Central publicou edição especial do Jornal da CTB, com as principais pautas defendidas pela Contag - Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais.

Foto: Valter Campanato/AB
O Grito da Terra é organizado desde 1995 pela Contag, sendo a principal mobilização em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras rurais que ocorre todos os anos em Brasília.
  
A abertura do Grito da Terra 2009 teve início com a realização de ato público na Esplanada dos Ministérios, para reivindicar agilidade na implementação da reforma agrária, aceleração dos projetos para apoiar a agricultura familiar, ampliação do programa habitacional para o campo, educação e saúde pública com qualidade, reavaliação dos índices de produtividade da terra e limite da propriedade rural, combate ao trabalho escravo, ampliação dos recursos do Pronaf, assistência técnica gratuita, medidas emergenciais para pequenos agricultores atingidos por secas ou enchentes, e revisão do Código Florestal Brasileiro.

Terra à vista

Os trabalhadores e trabalhadoras rurais seguiram em passeata até o Ministério do Desenvolvimento Agrário para cobrar a atualização dos índices de produtividade, usados para identificar as propriedades improdutivas que podem ser desapropriadas para reforma agrária.

Para o diretor da CTB e da Contag, David Wylkerson, "Esse é o maior gargalo que os pequenos produtores rurais enfrentam. Os índices estão há décadas, o governo prometeu fazer a revisão mas até agora não mudou nada".

Segundo David, o agronegócio quer alterar os índices para pior. "Reivindicamos a revisão em defesa da reforma agrária e para que a agricultura familiar seja vista como fator de desenvolvimento com sustentabilidade ambiental no campo", afirmou

Assistência técnica

Os manifestantes também cobraram mais recursos para assistência técnica, desburocratização do crédito agrícola, e a destinação R$ 22 bilhões para o Plano Safra 2009/2010 e maior rapidez no processo de regularização fundiária.

Segundo David Wylkerson, dos R$ 13 bilhões disponibilizados para a agricultura familiar, somente R$ 9 bilhões foram aplicados, por problemas na regularização de terras e registro das reservas legais. "Queremos que o governo vincule a liberação do crédito agrícola à assistência técnica gratuita com qualidade", protestou.

Código Florestal

Nesta quarta-feira, 27, os trabalhadores e trabalhadoras rurasis seguem para o Ministério do Planejamento para reivindicar o compromisso na liberação dos recursos da agricultura familiar, vão ao Ministério do Meio Ambiente para defender  a revisão do Código Florestal Brasileiro, e ao Ministério da Saúde para exigir o fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde), para que os benefícios do programa cheguem na zona rural com ampliação da saúde preventiva.

Movimentos Sociais

Os trabalhadores e trabalhadoras rurasi encerram o Grito da Terra com uma grande manifestação no STF (Supremo Tribunal Federal), em protesto contra a criminalização dos movimentos sociais. "O ministro Gilmar Mendes tem adotado uma postura arrogante e antidemocrática contra os movimentos sociais, principalmente em relação aos trabalhadores e trabalhadoras que lutam em defesa da reforma agrária. Vamos exigir agilidade nos processos judiciais contra os fazendeiros e julgamento imparcial das demandas agrárias, pois as decisões judiciais são tendenciosas, favoráveis ao latifúndio, e penalizam os trabalhadores e trabalhadoras do campo que precisam da terra para viver com dignidade", concluiu David Wylkerson.

O encerramento do Grito da Terra 2009 será marcado pela grande expectativa dos trabalhadores e trabalhadoras rurais de que o governo atenda as reivindicações defendidas pela Contag e pela CTB.

Foto: Valter Campanato/AB

Portal CTB

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