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Banqueiros ignoram compulsório para ganhar com a crise internacional

Já não colava a choradeira dos banqueiros que se colocavam como possíveis vítimas da crise financeira mundial - chegaram até tentar a vender a idéia para a sociedade de que a legítima Campanha Nacional dos Bancários era fora de hora. Agora, porém, além de não apresentar nenhum sinal concreto de que estão sendo afetados, eles ainda se aproveitam da crise para ganhar ainda mais às custas dos cidadãos para quem tentaram distorcer a realidade.

Segundo reportagem publicada na segunda-feira, dia 20, pelo O Estado de S. Paulo, em vez de usar a liberação do compulsório autorizada pelo Banco Central (BC) exclusivamente para manter a oferta de crédito em padrões próximos aos de antes da crise - e conseqüentemente evitar a subida dos juros - os bancos preferiram dobrar as taxas. E pior, usam esse dinheiro do compulsório para comprar títulos públicos do governo federal. O jornal fala que dos R$ 100 bilhões liberados, R$ 65 bilhões foram usado para comprar os títulos.

Com essa prática, o banco ganha duas vezes. Uma ao usar um dinheiro que estava parado no BC para comprar títulos públicos e outra ao aumentar os juros do crédito.

Compulsório é uma porcentagem do total que é depositado nos bancos recolhida pelo Banco Central (BC) também como uma reserva para ser usada em momentos onde há retração da liquidez. Liquidez é capacidade de os bancos oferecerem dinheiro para a sociedade por meio, por exemplo, de crédito.

Vítima - A atitude dos banqueiros de distorcer o uso do compulsório e ainda aumentar a taxa de juros tem uma vítima: a sociedade. Segundo O Estado de S. Paulo, as empresas brasileiras já começam a ser sufocadas pela falta de dinheiro para tocar os negócios. Algumas não chegam nem a ser atendidas.

"Parece que estamos pedindo um favor aos bancos", diz a presidente da Dudalina, Sônia Hess de Souza, que tentou, sem sucesso, fazer um Adiantamento de Contrato de Exportação (ACE) de apenas US$ 50 mil em três grandes bancos. "A impressão é de que todo mundo combinou de fechar o caixa", completa a empresária, que emprega 1,3 mil pessoas.

"Estamos matando um leão por dia", diz Renato Maurício de Paula, diretor-financeiro da Kissol, indústria de calçados que emprega 300 funcionários em Franca (SP
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