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Desempregados incendeiam centenas de carros na França

A queima de carros nas perfierias das grandes cidades francesas se tornou uma tradição na madrugada do dia 14 de julho, data nacional francesa. Foto: Reuters A temperatura se elevou nas ruas da periferia de Paris e outras cidades francesas durante a madrugada desta terça-feira (14), em que se celebra a queda da Bastilha.  Pelo menos 317 carros foram queimados em diferentes localidades, segundo informações divulgados pela polícia. Os manifestantes, em sua maioria, são jovens desempregados.

Manifestações do gênero nesta data viraram rotina, mas a crise agravou o quadro. O número de veículos incendiados, segundo balanço ainda provisório, já representa um aumento de 6,7% em relação ao verificado no ano passado. A quantidade de pessoas presas, 240, dobrou na comparação com o mesmo período.

Dois pesos e duas medidas

A revolta popular é um subproduto do elevado nível de desemprego, que nas periferias, habitadas por franceses filhos de imigrantes, atinge 40% da força de trabalho e é particularmente grave entre os jovens. A crise exacerbou o problema e o governo da direita faz muito pouco para contorná-lo.

As autoridades destinaram centenas de bilhões de euros para salvar banqueiros, bancos e grandes empresas às portas da falência, incorrendo em déficits colossais. Mas quando se trata de destinar recursos aos mais pobres, o Estado capitalista se mostra avarento, o governo diz que não há dinheiro e que é preciso zelar pelo equilíbrio fiscal. O uso de dois pesos e duas medidas e a clara subordinação do orçamento estatal aos interesses da oligarquia financeira são fonte de indignação e protestos.

Repressão

A receita do governo direitista de Nicola Sarkosy diante dos protesto é intensificar a repressão. O ministro do Interior, Brice Hortefeux, anunciou que irá reforçar a segurança no país nesta terça-feira, com um esquema policial de 40 mil homens.

Os transportes públicos, sobretudo os que ligam as periferias de Paris ao centro da capital também serão mais vigiados, disse o ministro, que também proibiu a venda de certos tipos de fogos de artifício.

A polícia informou que na madrugada desta terça, 13 policiais ficaram feridos nos protestos. A maioria teria sofrido problemas auditivos causados por explosões de fogos de artifício atirados contra eles.

Crise e protestos

Tradicionalmente inúmeros veículos são incendiados em subúrbios pobres da França durante as festividades de 14 de julho como sinal de protesto contra a situação social dos moradores dessas áreas, onde vivem principalmente pessoas de origem imigrante e os índices de desemprego costumam atingir 40%.

Mas neste ano, em razão da crise econômica, o sentimento de insatisfação contra o governo é maior. No dia 19 de março ocorreram manifestações históricas durante uma greve geral que levaram cerca de 3 milhões de franceses às ruas. 

Violência

Além disso, nos últimos dias, confrontos entre jovens e a polícia vêm ocorrendo em cidades da periferia. Os moradores acusam os policiais de recorrente violência em operações nessas áreas. Em Montreuil, ao norte de Paris, cerca de 300 pessoas protestaram nesta madrugada contra a expulsão de pessoas que ocupavam ilegalmente um prédio abandonado. Um homem afirma ter perdido um olho nessa operação devido a uma bala de borracha disparada por um policial.

Os manifestantes em Montreuil atiraram fogos de artifício contra os policiais, que responderam aos ataques com bombas de gás lacrimogênio. Apesar dos incidentes e do maior número de carros queimados, a direção da polícia francesa avaliou que, globalmente, a noite de véspera do feriado nacional "foi calma, sem maiores incidentes".

A polícia afirma também que houve muitas agressões "com artefatos pirotécnicos" contra os oficiais. O número de carros queimados durante a madrugada ainda não foi devidamente contabilizado. O balanço final deve ser divulgado no final da tarde desta terça.

(Portal CTB, com informações  de Daniela Fernandes, da BBC Brasil)

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