Projeto de isonomia nos bancos públicos federais aguarda votação
Na última
segunda-feira, dia 14 de setembro, o deputado federal Eudes Xavier
(PT/CE) apresentou parecer favorável ao projeto de lei nº 6.259/2005,
que institui a isonomia de direitos entre os novos e antigos
trabalhadores dos bancos públicos federais: Caixa Econômica Federal,
Banco do Brasil, Banco do Nordeste (BNB), Banco da Amazônia (Basa) e
Casa da Moeda. A autoria desse projeto é do hoje senador e ex-deputado
Inácio Arruda (PCdoB/CE) e do deputado Daniel Almeida (PCdoB/BA).
Agora,
o projeto da isonomia aguarda votação na Comissão de Trabalho,
Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados. Em seguida
será encaminhado paras as Comissões de Finanças e Tributação e
Constituição e Justiça e, caso seja aprovado, entrará em vigor sem
necessidade de votação em plenário. Depois, caberá ao Senado
apreciá-lo, antes de ir à sanção presidencial.
Considerado um
passo importante em defesa dessa luta, o parecer de Eudes Xavier seguiu
a linha da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro
(Contraf/CUT) e anula resoluções impostas de forma arbitrária pelo
governo neoliberal Fernando Henrique Cardoso. Ocorre que, a partir de
30 de maio de 1995, os trabalhadores que ingressaram na Caixa, BB, BNB,
Basa e Casa da Moeda perderam uma série de direitos em relação aos
antigos bancários, devido às resoluções nº 9 (maio de 1995) e nº 10
(outubro de 1996) do Conselho de Coordenação e Controle das Empresas
Estatais (CCE).
A luta pela isonomia de direitos e benefícios
entre os bancários das instituições financeiras públicas faz parte da
minuta específica da campanha salarial deste ano aprovada pelos
empregados na Caixa no 25º Conecef, realizado em Brasília (DF) no
período de 23 a 25 de abril. Nesse particular, a reivindicação é por
isonomia de direitos entre os novos e antigos empregados, com extensão
a todos de benefícios como licença-prêmio, anuênios, Adicional por
Tempo de Serviço (ATS) e Vantagens Pessoais (VPs), além da normatização
das Apips.
Ao longo dos últimos anos, o movimento nacional dos
empregados e a Contraf/CUT têm desenvolvido campanhas por isonomia nos
bancos públicos federal, com o objetivo de intensificar a pressão ao
Congresso Nacional pela aprovação do projeto de lei 6.295. Entre as
atividades já realizadas, os destaques são a realização de um Dia
Nacional de Luta, a visita a câmaras municipais e assembleias
legislativas nos estados. A luta pela isonomia tem sido ampliada em
todo o Brasil, de modo a atingir todos os bancos públicos e toda a
sociedade. Nessa luta, inclusive, também estão incluídos os menores
aprendizes que prestam serviços ao sistema financeiro nacional.
Em
busca de apoio, as entidades sindicais e associativas vêm dialogando
com parlamentares e lideranças políticas de cada região. Audiências com
os presidentes de cada banco federal também foram agendadas e
realizadas, para a entrega de documento com as propostas para corrigir
as distorções.
Discriminação inaceitável
As
distorções salariais e de benefícios entre funcionários novos e antigos
dos bancos públicos federais tiveram início entre os anos de 1996 e
1997. A medida resulta dos “entulhos autoritários” baixados por FHC.
Desde
então, os administradores das empresas públicas foram orientados a
limitar os gastos com custeio do pessoal. Foi com base nessa
recomendação que, a partir dos novos concursos públicos, diversas
conquistas históricas dos trabalhadores passaram a ser ignoradas.
Pior
para os trabalhadores admitidos nos bancos públicos federais após 1997.
Ingressaram em condições desfavoráveis em comparação com os empregados
mais antigos e foram enquadrados em tabelas salariais achatadas, com
perda de direitos como licença-prêmio, anuênio, ATS, VPs e normatização
das Apips.

