NE tem melhorias mais expressivas no analfabetismo e analfabetismo funcional
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira, 18, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) constatou que a região Nordeste foi a que apresentou queda mais expressiva da taxa de analfabetismo no Brasil em relação a 2007, atingindo 19,4%. Há dois anos, ela chegava a 19,9%. Mas, apesar da queda, o Nordeste continua apresentando índices que chegam ao dobro dos estimados nacionalmente.
Em 2008, no Brasil, havia 14,2 milhões de analfabetos entre as pessoas com 15 anos ou mais de idade. A taxa de analfabetismo para esse grupo etário foi estimada em 10,0%; em 2007, havia sido de 10,1%.
Na faixa etária de 10 a 14 anos de idade, a taxa de analfabetismo foi estimada em 2,8%, mostrando uma queda de 0,3 ponto percentual em relação a 2007. Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, esse indicador era inferior a 1,5%; enquanto no Norte e Nordeste, ficava em 3,5% e 5,3%, respectivamente. A taxa de analfabetismo para os homens de 15 anos ou mais de idade foi estimada em 10,2%, enquanto a das mulheres, do mesmo grupo etário, foi de 9,8%.
A taxa de analfabetismo funcional foi estimada em 21,0%, em 2008, 0,8 ponto percentual abaixo da de 2007, tendo sido contabilizados 30 milhões de analfabetos funcionais dentre as pessoas de 15 anos ou mais de idade. De 2007 para 2008, todas as regiões apresentaram queda dessa taxa, com destaque para a Nordeste onde a retração atingiu 1,9 ponto percentual (de 33,5% em 2007 para 31,6% em 2008). A taxa de analfabetismo funcional masculina (21,6%) também era superior à feminina (20,5%).
Brasil - A PNAD apresentou diversos avanços no mercado de trabalho brasileiro, em 2008. De 2007 para 2008, o contingente de trabalhadores
cresceu 2,8%, totalizando 92,4 milhões de pessoas de dez anos ou mais
de idade, impulsionado pelo setor da construção civil (crescimento de
14,1%), que gerou cerca de 900 mil novos postos de trabalho em todo o
país.
A formalização também foi destaque, com ampliação dos empregados
com carteira assinada, de 33,1% dos ocupados em 2007 para 34,5% em
2008, ou seja, um acréscimo de 2,1 milhões de pessoas nessa categoria –
o que resultou, por exemplo, numa elevação de 5,9% entre os
contribuintes da Previdência. Também melhorou a escolaridade dos
trabalhadores: o contingente de ocupados com 11 anos ou mais de estudo
passou de 39,0%, em 2007, para 41,2%, em 2008.
Reflexo do movimento no mercado de trabalho, tanto o rendimento dos
trabalhadores, quanto o de todas as fontes e o domiciliar tiveram
crescimentos de 2007 para 2008 (1,7%, 2,0% e 2,8%, respectivamente). Os
dois primeiros, porém, aumentaram em taxas menores que nos anos
anteriores.
Se, em geral, cresceu o número de pessoas de dez anos ou mais de idade
ocupadas, o de crianças e adolescentes trabalhando (5 a 17 anos de
idade) caiu, passando de 10,8% para 10,2% das pessoas nessa faixa
etária. Ainda assim, em 2008, 4,5 milhões de crianças e adolescentes
trabalhavam, sendo 993 mil delas do grupo de 5 a 13 anos de idade.
Esses trabalhadores eram, sobretudo, meninos, que estavam
principalmente em atividades agrícolas e sem registro.
De 2007 para 2008, no Brasil como um todo, alguns indicadores de
educação mantiveram o ritmo gradual de avanço observado nos últimos
anos: a taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais de
idade, por exemplo, passou de 10,1% em 2007 para 10,0% em 2008; e a
média de anos de estudo aumentou de 6,9 para 7,1 anos - mas ainda não
representava o ensino fundamental concluído. Nesse período, a taxa de
analfabetismo funcional caiu de 21,8% para 21,0%, e a frequência a
escola das crianças de 6 a 14 anos subiu de 97,0% para 97,5%.
Segundo a Pnad 2008, a população do país era de 189,952 milhões de
pessoas. A taxa média de fecundidade, que havia sido de 1,95 filho por
mulher em 2007, passou para 1,89 filho por mulher em 2008, e a média de
moradores por domicílio manteve o comportamento de queda, de 3,4 em
2007 para 3,3 em 2008. O percentual de domicílios ligados à rede de
esgoto permanece subindo: de 51,1% (2007) para 52,5% (2008). A
telefonia e o acesso à Internet foram os serviços que mais avançaram:
de 2007 para 2008, 4,4 milhões de domicílios passaram a ter telefone, e
aqueles ligados à Internet aumentaram de 20% para 23,8% do total, ainda
que as desigualdades regionais de acesso se mantenham.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2008 investigou 391.868
pessoas em 150.591 domicílios por todo o país a respeito de sete temas
(dados gerais da população, migração, educação, trabalho, família,
domicílios e rendimento), tendo setembro como mês de referência. A
partir desta divulgação, as estimativas da Pnad passam a ser calculadas
com base nas novas projeções de população do IBGE, que incorporam
resultados dos parâmetros demográficos calculados com base na contagem
de população de 2007. Para manter as comparações com os anos
anteriores, estão sendo fornecidas as séries dos principais
indicadores, já recalculados considerando as novas projeções de
população, para os anos de 2001 a 2007.

