Chega a 100 o número de agências fechadas em Sergipe
No quinto dia de greve nacional dos bancários, 28, chegou a 100 o número de agências fechadas no Estado de Sergipe. No final do dia, os trabalhadores em greve realizaram uma passeata no centro da capital, Aracaju, saindo da Agência Banco do Brasil da Praça General Valadão, passando pelas agências bancárias do Calçadão da João Pessoa, com destino ao Sindicato dos Bancários de Sergipe -SEEB/SE - para realização de mais uma assembleia de avaliação da paralisação.

O ponto alto da passeata aconteceu no Bradesco, banco no qual os bancários resistem a participar do movimento. Participam apenas os bancários que têm imunidade, a exemplo dos diretores do Sindicato dos Bancários e da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe. Na agência do 'banco completo' da Travessa José de Faro houve uma forte manifestação dos bancários com a presença de uma banda de frevo e do carro de som. Como sempre acontece no período de greve, antes da assembleia os bancários aproveitaram o cardápio caprichado sob a responsabilidade da funcionária do Sindicato Alzira Souza. Hoje foi um delicioso munguzá que repôs as energias dos trabalhadores em greve.
OUTRAS CATEGORIAS
Especialmente nesta segunda-feira, representantes de outras categorias prestigiaram a assembleia dos bancários: Flávia Brasileiro, presidente do Sindicato dos Enfermeiros - Seese; o secretário geral do Sindicato dos Servidores do Tribunal de Justiça – Sindiserj -, Anselmo Cardoso; e o presidente da CTB Sergipe (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Edival Góes.
“A luta de vocês é muito bonita. O Sindicato dos Enfermeiros vem prestar solidariedade aos bancários primeiro porque o SEEB/SE é o Sindicato mais presente na luta dos trabalhadores e sempre estende a mão para outras categorias; e segundo porque tenho um bancário em casa (Flávia é casada com um bancário). Estamos juntos nessa luta”, afirma Flávia.
“Conheço bem a história de luta de vocês porque também fui bancário. Agora estamos aprendendo a luta no Sindiserj e temos como mestre o Sindicato dos Bancários. Conseguimos algumas conquistas, mas ainda estamos na luta. Temos que ter consciência de que a parte mais forte nessa luta é o trabalhador, que tem a força do trabalho. Acima de tudo, estamos buscando justiça e dignidade para os trabalhadores”, destaca Anselmo.“É um orgulho enorme para a CTB ter o Sindicato dos Bancários como filiado, porque foi o primeiro filiado e ajuda a construir a Central no Estado. Essa luta por melhores condições de trabalho é muito importante não só para os bancários, mas, para todos os trabalhadores. É muito importante para a valorização do trabalho”, reforça Edival Góes, presidente da CTB Sergipe.
Em seu depoimento, o diretor do Sindicato dos Bancários Jovan Sales destacou a organização do 2º Congresso Nacional da CTB, do qual ele participou no último final de semana em São Paulo. “Fiquei gratificado de ter participado deste evento com presença marcante de unicidade e integração. Foi um dos congressos mais organizados que já participei, inclusive com representações internacionais. Isso mostra o acerto do Sindicato dos Bancários em ter se filiado à CTB”, reconhece Jovan.INTERDITOS PROIBITÓRIOS
A assessora jurídica do Sindicato dos Bancários Meirivone Aragão falou aos bancários sobre os interditos do Bradesco e Banese que, no caso de descumprimento, impõem multa de R$ 20 mil por dia ao Sindicato. Ela esclareceu, também, que, se o gestor aparecer na porta com a liminar na mão exigindo que os bancários entrem para trabalhar, isso se caracteriza assédio moral e deve ser denunciado ao Sindicato (2107-1868).
“É importante esclarecer que os interditos não impedem a realização da greve. São liminares que têm o mesmo conteúdo da Lei de greve. Elas dizem que a greve tem que ser um movimento pacífico e que pode ser impedida a entrada do colega por convencimento, mas nunca por força. A gente deve enfrentar os interditos com a força da paralisação”, diz Meirivone.
“Nós devemos combater a má política com boa política. A nossa greve está forte, mas ainda temos espaço para crescer muito mais, principalmente no Banese. Devemos continuar empenhados em construir a greve. Não basta levantar a mão e aprovar a paralisação, porque a decretação da greve não garante o movimento. Precisamos continuar atuando com organização”, afirma José Souza, presidente do Sindicato.
A greve dos bancários está crescendo a cada momento. No primeiro dia paralisaram 2.881 agências; no segundo, 4.791; no terceiro, 5.786. “A nossa greve está se multiplicando e vamos crescer muito mais. Quanto aos interditos, não estamos depredando a propriedade dos banqueiros. Vamos continuar abordando os colegas e os clientes para fortalecer ainda mais o nosso movimento”, afirma a diretora Ivânia Pereira.
O que os bancários querem
As principais reivindicações da categoria, aprovadas na Conferência Nacional realizada entre 17 e 19 de julho e ratificadas pelas assembleias, são as seguintes:
- Reajuste salarial de 10% (reposição da inflação mais aumento real).
- PLR de três salários mais R$ 3.850.
- Valorização dos pisos:
Portaria: R$ 1.432.
Escriturário: R$ 2.047 (salário mínimo do Dieese).
Caixa: R$ 2.763,45.
Primeiro comissionado: R$ 3.447,80.
Primeiro gerente: R$4. 605,73.
- Auxílio-refeição: R$ 19,25.
- Cesta-alimentação: R$ 465,00 (um salário mínimo).
- 13ª cesta-alimentação: R$ 465,00.
- Auxílio-creche/babá: R$ 465,00.
- Fim das metas abusivas e do assédio moral.
- Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) em todos os bancos, negociado com as entidades sindicais.
- Contratação da remuneração total, inclusive a parte variável, com a incorporação dos valores aos salários e reflexo em todos os direitos (13º, férias e aposentadoria) - com o objetivo de acabar com as metas abusivas.
- Garantia de emprego, fim das terceirizações e ratificação da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que proíbe demissões imotivadas.
- Mais segurança nas agências.
- Auxílio-educação para todos.
- Ampliação da licença-maternidade para seis meses.
A proposta da Fenaban
Reajuste: 4,5%.
PLR
a) Parcela em número de salários: 1,5 salário reajustado limitado ao valor individual de R$ 10.000 e limitado a 4% do lucro líquido de 2009, o que ocorrer primeiro.
b) Parcela linear: 1,5% do lucro líquido, distribuído linearmente, limitado ao valor individual de R$ 1.500,00.
Condições: Os bancos que tiverem prejuízo em 2009 não pagarão PLR. O valor poderá ser compensado dos planos próprios de participação em lucros ou resultados.
Salário de ingresso
Portaria: R$ 673,71.
Escritório: R$ 966,20.
Caixa: R$ 1.252,03.
Salário após 90 dias
Portaria: R$ 738,00.
Escritório: R$ 1.059,25.
Caixa: R$ 1.280,24.
Anuênio: R$ 16,35.
Gratificação de compensador de cheques: R$ 93,13.
Auxílio refeição: R$ 16,63.
Auxílio cesta-alimentação: R$ 285,21.
13ª cesta-alimentação: R$ 285,21.
Auxílio-creche/babá: R$ 285,00 (até 71 meses).
Auxílio-funeral: R$ 549,89.
Ajuda de deslocamento noturno: R$ 57,39.
Indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto: R$ 81.998,61.
Requalificação profissional: R$ 819,52.

