Combate ao agronegócio marcam o Dia de Luta Camponesa
São 14 cidades mobilizadas no Brasil, sete províncias na Argentina, e inúmeras outras localidades espalhadas pelo mundo, num total de 24 países e mais de 50 ações, destacando hoje uma luta que enfrentam todo dia por reforma agrária e soberania alimentar. Cada cidade tem uma forma diferente de manifestar suas lutas, por isso as atividades, ao redor do mundo, são variadas, como: mercados camponeses, conferências, ações diretas, atividades culturais e atos públicos.
Os problemas no campo seguem se potencializando, especialmente na América Latina, pela concentração de terras cultiváveis nas mãos das transnacionais e do agronegócio. As atividades expulsam os pequenos produtores de suas terras e concentram cada vez mais a produção e a distribuição de alimentos em escala mundial.
No Brasil, as manifestações já começaram. O Movimento dos Sem Terra (MST) está realizando uma jornada de lutas. Funcionários garimpeiros da Vale do Rio Doce estão fazendo protestos, no Pará, e 600 famílias do MST estão ocupando a fazenda Águas do Pilintra, da Ambev, localizada no município de Agudos a 325 quilômetros de São Paulo.
Hoje, na Argentina, as cidades de Tilcara, San Pedro, Córdoba capital realizaram marcha de repúdio ao agronegócio. Na capital Buenos Aires, a praça do Retiro foi palco, às 17h, de um ato de escracho à multinacional Monsanto.
O Movimento Nacional Campesino Indígena (MNCI) "rechaça o atual modelo agropecuário, promove a reforma agrária integral, a soberania alimentar e expressa as vozes camponesas e indígenas em luta, longe das entidades patronais que pretendem representar 'o campo'".
Além disso, pede a suspensão dos desalojamentos, o reconhecimento dos territórios camponeses indígenas, e a formulação de uma lei nacional de acesso à terra para as famílias que foram expulsas do campo. O MNCI se coloca como um modelo distinto de desenvolvimento, que produz alimentos sãos para os povos e respeita a natureza e a vida.
A Comissão de Apoio x Terra (CAxTerra) do Uruguai, que também promove hoje atividades de luta, disse, em nota, que essa agressiva política de expansão das multinacionais não só causa a miséria aos pequenos produtores, como é responsável pelo aumento de preço da cesta básica.
Na Indonésia, o Sindicato Camponês do país fez uma assembléia geral contra as empresas transnacionais. O coordenador geral da Via Campesina, Henri Saraigh , esteve presente no ato e disse que, embora representem quase metade da população mundial, os camponeses não têm suas vozes escutadas, suas preocupações são ignoradas. "Demasiadas vezes fomos marginalizados, empobrecidos e oprimidos, mas no dia 17 de abril celebramos nossa luta pela vida".

