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redes sociais 2023

Debate aponta papel dos trabalhadores no combate à crise

A Fundação Maurício Grabois promoveu, dia 10, um importante debate com mais de 150 pessoas sobre a atual crise econômica mundial. Seus motivos e impactos no Brasil e no mundo, assim como as perspectivas do império norte-americano e as mudanças no sistema capitalista, foram abordados pelos debatedores. Para um dos diretores da FMG, Sérgio Barroso, trabalhadores e forças políticas e sociais progressistas são protagonistas na luta contra os efeitos da crise no Brasil.



Maia, Maringoni, Barroso e Mello debatem crise


"Economistas falam em centenas de bilhões de dólares que desapareceram, em ativos financeiros com as seguidas desvalorizações, além de falência de agências financeiras, estagnação e demissões de trabalhadores", enunciou Felipe Maia, da Fundação Maurício Grabois, ao abrir o debate, realizado no auditório do CREA/RJ.

Na mesa, estavam o doutor em Economia da UFRJ, Luis Martins de Mello; o historiador e pesquisador do IPEA, Gilberto Maringoni e o doutorando em Economia Social e do Trabalho pela Unicamp, Sérgio Barroso, também diretor da FMG.

Segundo Mello, a crise econômica tem dissolvido "tudo o que era sólido" no capitalismo, numa alusão a Marx no Manifesto do Partido Comunista.  "Alguém poderia imaginar que a GM e a Ford seriam dissolvidas? Elas acabaram. Só sobreviverão se tiverem um aporte de dinheiro público", anunciou o economista, citando as duas empresas automobilísticas que recentemente disseram estar falidas, provocando milhares de demissões.

Apesar de a crise ter começado nos EUA, Mello acredita que "o poder norte-americano continua em expansão", enumerando algumas razões para isso: "primeiro, dominam as fontes de energia; segundo, usam o dólar como fonte de poder; e terceiro, o inconteste poder militar". Segundo o economista, os EUA possuem "700 bases militares ao redor do mundo, sendo 153 com alto poder de destruição".

Mello ainda afirmou que o sistema capitalista não cairá por causa da crise econômica. Em sua opinião, "a destruição deste sistema é uma tarefa política". Segundo ele, para o Brasil enfrentar a crise, será preciso baixar as taxas de juros - "que seguem altas aqui, enquanto em outros países caem" - e promover investimento público para gerar emprego e aumentar a renda.

Alternativa
Em seguida, Gilberto Maringoni disse que "a esquerda e as forças progressistas ainda não se colocaram com força na construção de alternativas políticas" contra a crise econômica do capitalismo. "O ambiente político mudou. Podemos estar em uma nova fase deste sistema", disse.

Para o pesquisador do IPEA, o investimento público também pode ajudar o Brasil a conter a crise. Porém, algumas determinações devem ser feitas, entre elas a de que "só devem receber dinheiro público as empresas que se comprometam em não demitir trabalhadores". Maringoni também defendeu a queda das taxas de juros, o que para ele significa suspender a dívida pública; e a afirmação de uma alternativa política e socialista "não significa dizer que a alternativa à crise é o socialismo", concluiu.

O último debatedor, Sérgio Barroso, iniciou seu discurso historiando as crises econômicas norte-americanas, relacionando-as à ultraliberalização dos mercados. Segundo dissertou, o longo processo de desregulamentação e liberalização financeira dos mercados "não foi resultado de uma conspiração maquiavélica do grande capital financeiro no abstrato, mas sim decisão política do Estado norte-americano, já nos anos 1970, ainda no governo de Richard Nixon". Foi ainda nos anos 70 "que os EUA liberalizaram sua conta de capitais do balanço de pagamentos, desregulamentação que foi similar a seguir na Inglaterra, na Alemanha e no Japão", recordou.

Barroso buscou demonstrar que os EUA vivem hoje uma fase de declínio relativo em que são questionados vários elementos que atualmente garantem a hegemonia norte-americana. "Os próprios órgão de informação do chamado Conselho Nacional da Inteligência Americana reconhecem o curso real da multipolaridade; não se trata mais de tendência", disse.

Em relação ao Brasil, Sérgio Barroso acredita que a crise pode ter desdobramento para a direita ou a esquerda, pois em 2009 - um ano antes das eleições presidenciais no país - a recessão global terá mais influência no Brasil. Segundo ele, a responsabilidade dos trabalhadores é imensa. Para Sérgio Barroso, caberá a estes e ao conjunto das forças sociais e políticas progressistas exercerem um forte protagonismo que ajude a garantir que as ações e iniciativas do governo brasileiro promovam o desenvolvimento, o fortalecimento da soberania e a valorização do trabalho.

Barroso elogiou várias medidas do governo Lula que podem ajudar na contenção da crise, como a manutenção do PAC, o fortalecimento do sistema financeiro público e a valorização do salário mínimo.

O debate também serviu para o lançamento do livro "Capitalismo Contemporâneo e a Nova Luta pelo Socialismo", que traz opiniões de alguns dos principais nomes da intelectualidade brasileira e de convidados internacionais diretamente ligados à busca por uma nova ordem mundial.

Vermelho

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