Trabalhadores da construção ameaçam parar obras em todo o estado
A decisão da greve a partir do dia 22/02, se não houver acordo, foi
aprovada, por unanimidade, em assembléia geral realizada pelo Sindicato
dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil no Estado da Bahia
(Sintracom-BA), com a participação de mais de quatro mil trabalhadores
(as) da construção, na última terça-feira (dia 09/02), no Clube
Fantoches, em Salvador.
O presidente do sindicato, Raimundo Brito, disse que a alternativa da
greve é inevitável, já que depois de três meses de negociações, os
patrões não avançaram em suas propostas. “Esta sexta-feira é a data
limite dos trabalhadores. Se os patrões não apresentarem uma boa
proposta, vamos entrar em greve, na capital e interior do estado”,
afirma o sindicalista.
A categoria está revoltada com os patrões, que tiveram um crescimento
de mais de 10% no setor, em 2009, contabilizaram lucros imensos, mas
continuam não aceitando as reivindicações dos operários.
O mercado da construção está em amplo crescimento, alavancado por
lançamentos imobiliários totalmente vendidos ainda na planta, as obras
do PAC, programas habitacionais, a exemplo do Minha Casa Minha Vida,
além de facilidades de financiamentos para moradia, créditos e outros
incentivos governamentais.
Reivindicações da categoria
Na Sondagem da Construção Civil, publicada pela Confederação Nacional
da Indústria (CNI), em dezembro/2009, a análise do setor mostra que a
margem de lucro operacional e a situação financeira estão mais que
satisfatórias para a maioria das empresas, além do acesso ao crédito,
que está mais fácil.
Isso mostra que os patrões têm condições de atender às reivindicações dos operários. Se não atenderem, a categoria vai partir para a greve, com expectativa de parar geral todos os canteiros de obras na capital e no interior do estado.
Até agora, os patrões só ofereceram propostas irrisórias, apesar de
faturarem alto. Os trabalhadores (as) da construção querem muito mais!
- Reajuste salarial de 16%;
- Limite de 30 dias no contrato de experiência e com dois anos em carteira os trabalhadores (as) não teriam mais que passar por experiência – Patrões querem continuar com os 90 dias;
- Aviso prévio indenizado – empresários não concordam;
- Plano de saúde, parte do trabalhador, outra da empresa – patrões não aceitam implantar em 2010;
- Cesta básica de R$ 60 (até três faltas ou três atestados) e R$ 80 (sem faltas), mas os patrões só oferecem de R$ 55 a R$ 70 (nenhuma falta);
- Os trabalhadores (as) reivindicam ainda: equiparação salarial da capital e interior até 2015;
- Os patrões oferecem os seguintes pisos para: Operário Qualificado
– R$ 828,31 em janeiro/2010 e R$ 910 em agosto/2010; Ajudante Comum –
R$ 529 em janeiro/2010 e R$ 538 em agosto/2010; Ajudante Prático – R$
564 em janeiro/2010 e R$ 572 em agosto/2010.
Sintracom-BA

