Bancos estrangeiros não melhoraram sistema financeiro no Brasil, diz IPEA
Ao contrário do que afirmavam os defensores da abertura de mercado e das privatizações, na década de 1990, a presença dos bancos internacionais no Brasil não aprimorou o setor por meio da concorrência. Pelo contrário. Não fossem os bancos públicos, o já baixo número de agências por habitante, no Brasil, seria ainda menor.
O estudo Transformações na Indústria Bancária Brasileira, apresentado pelo economista do Ipea Milko Matijascic, indica a drástica redução da presença do Estado no setor, entre as décadas de 1980 e 1990, e o aumento da concentração bancária com a redução geral no número de bancos. Tudo isso num cenário de crescimento no número de instituições estrangeiras no país que não melhorou em nada a bancarização.
"É dramática a situação de pessoas que só podem sacar seus benefícios a cada três meses devido ao custo do transporte até uma agência bancária", disse Matijascic, destacando que o Brasil tem uma das piores avaliações na relação número de agências bancárias por habitante. Em 1980 eram cerca de 9 mil habitantes por agência, dado que piorou ao longo dos anos (em que os bancos estrangeiros ganharam espaço no país) e chegou a 2007 à casa dos mais de 10 mil habitantes por unidade de atendimento. Essa estatística assume proporções ainda mais nefastas, do ponto de vista dos cidadãos, se levada em conta a região. Na amazônica são mais de 20 mil habitantes por agência, no nordeste cerca de 20 mil, número que cai substancialmente nas regiões mais ricas: são 7 a 8 mil habitantes por agência no sul e sudeste.
Presença do Estado - Apesar de em 2006 os bancos públicos figurarem apenas entre 8,6% das instituições financeiras no Brasil, eram responsáveis por 43% das agências bancárias em território nacional. Já o setor privado, dono de 91% dos bancos, mantém 56% das unidades que atendem os cidadãos no país.
Abuso - O estudo do Ipea mostrou também que os juros reais cobrados pelos bancos estrangeiros são muito mais altos no Brasil que nos países sede dessas instituições. A pesquisa abrange o período entre setembro e outubro de 2009 e o HSBC tem o pior indicador: 6,60% de juro real anual para os cidadãos do Reino Unido, contra 63,42% cobrado dos brasileiros. Na Espanha, o Santander cobra 10,81% de juro real de qualquer pessoa física, enquanto no Brasil a taxa chega a 55,74%.

