Transferência de sede do Dnocs provoca polêmica
A bancada do Nordeste na Câmara dos Deputados ainda não está
completamente convencida de que a sede do Departamento Nacional de Obras
Contra as Secas (Dnocs) deve continuar em Fortaleza. O coordenador do
grupo,
deputado federal Pedro Eugênio (PT-PE), disse ontem que outras
possibilidades podem ser avaliadas e que a prioridade é o fortalecimento
do órgão. Ele afirmou, no entanto, que “ninguém na região” é contra a
permanência do Dnocs na capital cearense.
A avaliação de Eugênio foi feita horas depois de o secretário executivo
do Ministério da Integração Nacional, Alexandre Navarro, ter
apresentado aos parlamentares uma proposta de reestruturação do Dnocs. A
intenção do Ministério é ampliar a área de atuação do órgão para todo o
Brasil e transferir a sede do Departamento para Brasília, entre outros
pontos.
Os deputados federais do Ceará chiaram, mas o coordenador da bancada
nordestina na Casa fez ponderações. “Se tivermos em Fortaleza uma
coordenação que tenha dez vezes mais recursos do que tem hoje, e uma
sede em Brasília que faça uma articulação para os outros estados, pode
ser positivo”, avaliou Eugênio.
O deputado destacou, no entanto, que ainda não há uma posição coletiva
oficial e que, a partir de abril, poderão ser feitas até duas reuniões
mensais para discutir uma proposta de reestruturação do Dnocs – algo que
leve em consideração os planos do Governo Federal e os interesses do
Nordeste. “Nada pode ser descartado, pois a discussão ainda está
incipiente”, afirmou.
Possível recuo
Insatisfeito com a proposta do Ministério, o deputado federal Chico
Lopes (PCdoB-CE) disse que conversou com Navarro após a apresentação e
que o secretário executivo teria se mostrado aberto a descartar a
mudança de sede. Questionado pelo O POVO, Pedro Eugênio disse
desconhecer o possível recuo.
O deputado federal Eudes Xavier (PT-CE) ainda alertou que “se for do
jeito que Navarro apresentou, o Ceará perde. Ficaríamos com uma
superintendência. O risco é alto”.
Servidores do Dnocs anunciaram que vão participar das articulações para
evitar que o órgão seja esvaziado e para incluir propostas da categoria
no plano de reestruturação. “Queremos continuar com a questão da
piscicultura, da irrigação da infraestrutura hídrica e da gestão dos
recursos hídricos. O que a gente sente é que o ministério quer reduzir
essas atividades”, criticou a servidora Keila Cândido.
O Povo

