Itaú Unibanco fecha compra da Credicard por R$ 2,767 bilhões
A operação envolve a compra da marca Credicard, do banco Citicard e da promotora Citifinancial, com 96 pontos de venda. Ficaram de fora do negócio os cartões American Airlines, Corporate, Credicard Platinum (exceto Credicard Exclusive) e os cartões com as marcas Citi e Diners, que permanecem com o Citi, num total de cerca de 1 milhão de cartões.
Com o negócio, o Itaú Unibanco leva para casa uma carteira de crédito de R$ 7,3 bilhões, além de 4,8 milhões de cartões de crédito. Já líder em cartões com sua base de 32,8 milhões de plásticos, o Itaú deve agregar cerca de 5 pontos percentuais no mercado, em termos de volume transacionado. Sozinho, o Itaú já tinha uma participação de 30%. Em 2012, o setor de cartões movimentou R$ 724,3 bilhões.
É uma clientela já conhecida do Itaú Unibanco e que vai se somar a uma base de 32,8 milhões do banco. Até 2004, Citi, Itaú e Unibanco dividiam o controle da Credicard. Naquele ano, o Unibanco vendeu sua participação para os dois sócios. Dois anos depois, Citi e Itaú se separam. Por já conhecer esses consumidores, a avaliação do Itaú é que será capaz de expandi-la com mais facilidade.
A própria marca Credicard é outro ativo que pesou na avaliação do Itaú. Estudo feito pelo banco mostrou que o nome ainda é importante no mercado de cartão de crédito. Mas ainda não está decidido como a marca Credicard será usada. Uma das possibilidades em estudo é destiná-la aos clientes não-correntistas do banco. Nos últimos anos, o Itaú fez investimentos pesados na marca Itaucard.
Sinergias também serão exploradas. Plataformas tecnológicas, por exemplo, serão integradas. Inicialmente o Itaú absorverá um contingente de 1.200 funcionários da Credicard. A questão ainda não respondida é o que o banco pretende fazer com esses funcionários ao longo do tempo. Em busca de ganhos de eficiência, no ano passado o Itaú Unibanco cortou 6,68 mil empregados.
Restam dúvidas, também, sobre a sobrevivência da rede de 96 lojas que vieram junto com Credicard, já que o banco tem 4.075 agências Brasil afora. Bancos que analisaram o ativo avaliaram a possibilidade de fechar as lojas, ou parte delas.
O Itaú desbancou o Bradesco e o Santander na disputa pelo ativo. Os dois concorrentes foram comunicados pelo Citi de que estavam fora da disputa na segunda-feira da semana passada. A partir de então, o Itaú seguiu negociando com exclusividade, conforme noticiou o Valor Pro. BTG Pactual e Banco do Brasil participaram de fases anteriores da negociação.
De acordo com dados do Banco Central, compilados pela equipe de analistas do banco Brasil Plural, o banco Citicard, que englobava a Credicard, teve lucro líquido de R$ 172 milhões em 2012, com avanço de 13,4% na comparação anual.
Do lado do Citi, a operação deve trazer um ganho sobre a venda de aproximadamente US$ 300 milhões, após impostos, já no resultado do segundo trimestre deste ano. Em comunicado divulgado ontem, o banco reitera seu interesse no Brasil, apesar da venda da Credicard.
"Essa transação demonstra como estamos encontrando formas de otimizar nossos negócios e de focar em segmentos específicos nos mercados emergentes, em linha com a nossa estratégia global", disse Francisco Aristeguieta, presidente do Citi América Latina. "Fazemos negócios no Brasil há 98 anos, e continuaremos ampliando nossos negócios institucionais e de banco de varejo no país."
Fonte: Vanessa Adachi e Carolina Mandl - Valor

