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Campanha Salarial 2026

Empregados cobram da Caixa novos PFG e PCS e transparência no PSI

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A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) e a direção da Caixa se reuniram nesta quinta-feira (23/7), em São Paulo, para a terceira rodada de negociação específica da campanha nacional 2026. Na mesa, a CEE cobrou avanços concretos nas cláusulas de condições de trabalho, com a priorização da atualização da estrutura de carreira da Caixa, com novo Plano de Funções Gratificadas (PFG), novo Plano de Cargos e Salários (PCS) e regras objetivas, transparentes e democráticas para os Processos Seletivos Internos (PSIs).

“Os atuais PFG e PCS não respondem mais à realidade da Caixa. A empresa mudou, o trabalho mudou, as exigências aumentaram, mas os instrumentos de carreira ficaram para trás. A Caixa precisa construir, com a representação dos empregados, novos planos que valorizem a trajetória profissional, deem previsibilidade e acabem com os remendos que geram insegurança, sobrecarga e adoecimento”, afirmou a coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen, lembrando da necessidade incluir os técnicos bancários que ainda estão no PCS de 1998.

Segundo a representação dos empregados, o tema está diretamente ligado às cláusulas dos Acordos Coletivos de Trabalho específicos da Caixa, à Convenção Coletiva de Trabalho da categoria bancária e à minuta de reivindicações apresentada na Campanha Nacional 2026. A cobrança é para que o ACT incorpore garantias capazes de impedir perdas de direitos, distorções nas funções, acúmulo de tarefas que causam sobrecarga e adoecimento.

PSI com critérios objetivos

Outro ponto central foi o PSI. A CEE/Caixa defendeu que os processos seletivos internos respeitem princípios de transparência, impessoalidade, objetividade e diversidade, com regras conhecidas previamente e participação de bancas examinadoras representativas da diversidade no banco.

A Caixa informou que há estudos em andamento sobre PFG, PCS e PSI e se comprometeu a buscar informações para apresentar à mesa. Para a CEE/Caixa, no entanto, é fundamental que esses estudos sejam compartilhados com as entidades sindicais, para serem debatidos antes de qualquer implementação.

Teletrabalho

A representação dos empregados também voltou a cobrar a inclusão de cláusula específica sobre teletrabalho no ACT da Caixa, reduzindo a dependência de decisões localizadas de gestores sobre quem atua no modelo remoto. Outra reivindicação é a igualdade entre trabalho remoto e presencial, com registro de ponto, hora extra, direito à desconexão, ajuda de custo e fornecimento de estrutura pela empresa.

Também foi destacada a necessidade de ações de saúde específicas para quem trabalha em home office. No modelo híbrido, a proposta foi que a definição dos dias presenciais decorra de diálogo entre gestor e empregado, sem imposição unilateral.

Ficou encaminhada uma pauta específica para aprofundar o tema, incluindo sua relação com diversidade.

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Os bancários da Bahia e Sergipe foram representados na mesa pelo diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia Érico de Jesus.

Genesys e atendimento figital

A CEE/Caixa fez duras críticas ao modelo de atendimento “figital”, no qual empregados das unidades físicas precisam conciliar o atendimento presencial com demandas digitais, por meio da ferramenta Genesys. Da mesma forma foi cobrado que não haja punição no programa de desempenho da unidade (Alcance.Caixa).

Para a representação dos empregados, o modelo amplia a pressão, prejudica o atendimento à população, interfere nos indicadores de desempenho e contribui para o adoecimento. A CEE cobrou que a Caixa apresente estudos sobre os impactos do Genesys e do atendimento presencial simultâneo, inclusive à luz da NR-1, com informações sobre o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), inventário de riscos, medidas de prevenção e acompanhamento pelas CIPAs.

Diversidade

Na mesa desta quinta-feira, a Caixa apresentou parte dos dados sobre diversidade cobrados pela representação dos empregados na primeira rodada de negociação específica. Entre os números apresentados, estão informações sobre representação feminina, distribuição racial por nível hierárquico e designações para chefia de unidade.

Os dados mostram que as mulheres são 44,25% do total de empregados, mas ocupam apenas 29,12% das chefias de unidade. Nas designações para chefia de unidade em 2026, as mulheres representam 40,91%, contra 59,09% de homens. O tempo médio para atingir a primeira chefia também é maior para elas: 4.375 dias, contra 3.913 dias para os homens.

A apresentação também indicou sub-representação de pessoas negras em níveis de chefia. No total da Caixa, pessoas pardas aparecem como 24,20% e pessoas pretas como 4,11%. Na chefia de unidade, os percentuais caem para 21,09% e 3,21%, respectivamente.

A Caixa também apresentou proposta de cláusulas sobre Equidade de Gênero, Diversidade e Inclusão. Para a CEE/Caixa, a proposta é um ponto de partida que será analisada pela representação dos empregados.

Saúde Caixa

No debate sobre o Saúde Caixa, a Caixa apresentou novos dados sobre adesões, cancelamentos, perfil da base e composição dos beneficiários. Entre 2023 e fevereiro de 2026, o banco apontou 20.056 adesões, 35.446 cancelamentos e saldo líquido negativo de 15.390 vidas no plano.

A apresentação também trouxe informações sobre empregados contratados após 2018. Dos 13.929 empregados nessa condição, 12.324 estão no Saúde Caixa, o que representa 88,5% da base. Outros 916 nunca aderiram e 689 cancelaram o plano. A CEE/Caixa reforçou que negar a esses empregados o direito de levar o Saúde Caixa para a aposentadoria, com participação da Caixa no custeio, quebra o pacto intergeracional que sustenta o plano.

O ponto de maior destaque, porém, foi a afirmação, pela Caixa, de que a retomada do modelo de custeio 70/30, no qual 70% dos custos são arcados pela Caixa e 30% pelos empregados, garantiria sustentabilidade ao Saúde Caixa por dois anos.

Luiza Hansen ressaltou que a afirmação é importante, mas não significa que o banco tenha assumido compromisso de retirar o teto de seu estatuto. “A retomada do modelo 70/30, que garante o equilíbrio do Saúde Caixa, só é possível com a retirada do teto. Mas não significa que o banco tenha dito que vai retirar o teto. Por isso, a mobilização dos empregados é decisiva para termos esse direito garantido”, afirmou a coordenadora da CEE/Caixa.

A representação dos empregados reforçou a convocação para o Dia Nacional de Mobilização em defesa do Saúde Caixa e por melhores condições de trabalho, que será realizado na próxima segunda-feira (27), em todo o país.

A próxima reunião de negociação específica com a Caixa será realizada no dia 31 de julho, em São Paulo.

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