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Suspensão de 167 peritos do INSS acende alerta para bancários que tiveram auxílio-doença negado

Medida do Ministério da Previdência pode beneficiar trabalhadores que tiveram pedidos indeferidos sem 

O Ministério da Previdência Social determinou a suspensão temporária do acesso de 167 peritos médicos federais ao sistema Atestmed Qualificado, plataforma utilizada para conceder o auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) sem necessidade de perícia presencial. A medida, válida por até 90 dias, foi adotada após uma sindicância interna identificar indícios de graves irregularidades na análise dos pedidos.

De acordo com o Ministério, os peritos suspensos apresentavam índices de indeferimento muito superiores à média nacional, que gira em torno de 46%. Em alguns casos, mais de 90% dos requerimentos eram negados. Outro fator que chamou a atenção foi o tempo de análise: diversos pedidos eram avaliados em menos de cinco minutos, com decisões baseadas em justificativas padronizadas, sem análise individualizada dos documentos apresentados pelos segurados.

Entre os casos identificados pela auditoria está o de uma segurada que apresentou atestado médico, laudos especializados e resultado de biópsia, mas teve o benefício negado. Somente após revisão realizada por outra equipe técnica o direito foi reconhecido. Situação semelhante ocorreu com um trabalhador de 50 anos, portador de diabetes, hipertensão e submetido à hemodiálise três vezes por semana, cujo pedido também havia sido recusado sem análise adequada.

Bancários podem ter sido diretamente prejudicados
A decisão do Ministério da Previdência chama a atenção da categoria bancária, que convive diariamente com elevados índices de adoecimento relacionados ao trabalho. Lesões por Esforços Repetitivos (LER/DORT), transtornos de ansiedade, depressão e síndrome de burnout figuram entre as principais causas de afastamento dos trabalhadores do setor.

Nos últimos anos, muitos bancários passaram a utilizar o Atestmed em razão da dificuldade para conseguir agendamento de perícias presenciais. Com a revelação das irregularidades, cresce a preocupação de que inúmeros pedidos tenham sido indeferidos sem que a documentação médica recebesse uma avaliação efetiva.
Peritos contestam a medida
A Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais (ANMP) ingressou na Justiça questionando a decisão do governo. A entidade sustenta que a Lei nº 11.907/2009 garante autonomia técnica aos peritos e afirma que um índice elevado de indeferimentos, por si só, não caracteriza irregularidade.
A associação também argumenta que os profissionais não tiveram direito ao contraditório e à ampla defesa antes da restrição de acesso ao sistema e que a seleção dos peritos teria sido baseada apenas em dados estatísticos, sem análise individual de cada decisão.

O que fazer se seu benefício foi negado
O Ministério da Previdência informou que todos os pedidos analisados pelos 167 peritos suspensos estão sendo revisados. Caso outro perito conclua que havia direito ao benefício, a concessão será realizada com efeitos retroativos.

Por isso, os bancários que tiveram o auxílio por incapacidade temporária negado, especialmente entre abril e julho de 2026, devem ficar atentos.

O Sindicato orienta que o trabalhador:
• verifique se seu benefício está entre os casos passíveis de revisão;
• reúna toda a documentação médica, como atestados, exames, laudos, receitas e histórico de tratamento;
• procure orientação jurídica caso a revisão automática não aconteça, para avaliar a apresentação de pedido de reconsideração ou recurso administrativo junto ao Meu INSS.

Sindicato coloca departamento jurídico à disposição
A suspensão dos 167 peritos evidencia a necessidade de maior rigor e transparência na análise dos benefícios previdenciários. Para trabalhadores que dependem do auxílio-doença durante o período de afastamento, uma negativa indevida pode significar meses sem renda justamente no momento de maior vulnerabilidade.

O Sindicato dos Bancários de Camaçari reforça que permanece à disposição da categoria para analisar casos individuais, orientar sobre recursos administrativos e adotar as medidas judiciais cabíveis sempre que houver indícios de violação de direitos previdenciários.

Em caso de dúvidas, entre em contato com o departamento jurídico.

eusebio carvalho advogado a2114 Eusébio Carvalho é advogado do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana, do Sindicato dos Bancários de Camaçari e da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe.

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