A chance desperdiçada por Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu
nesta semana uma oportunidade gigantesca de deixar para trás mais um
resquício dos governos tucanos. Seu veto ao fim do fator previdenciário
mostra, mais uma vez, que a herança das políticas neoliberais no Brasil
ainda está longe de ser superada.
Lula agiu corretamente ao
avalizar o reajuste de 7,7% para os aposentados que recebem acima de um
salário mínimo, mas penalizou todos os trabalhadores da ativa ao manter o
fator previdenciário. Infelizmente, o presidente preferiu ouvir parte
de sua equipe econômica ao invés de atender ao clamor das centrais
sindicais e de outras forças progressistas da sociedade.
O
discurso às vezes pode soar repetitivo, mas é sempre importante lembrar
que, durante o governo Fernando Henrique, quando o fator previdenciário
foi implementado, todos os partidos e entidades de oposição às políticas
neoliberais foram contra esse artifício que tanto prejudica a classe
trabalhadora. A CTB, desde sua base até sua direção executiva, não
mudará de lado.
A leitura dos jornais e dos principais
noticiários da internet nesta quarta-feira (16) é um claro indício de
que Lula está errado. A chamada “grande mídia” atribui o reajuste dos
aposentados a um caráter eleitoreiro, ao passo em que o veto ao fim do
fator previdenciário passa praticamente sem ser citado. Para não elogiar
a decisão de Lula, os jornalões optaram pela descrição. No final das
contas, o item mais importante nessa discussão permaneceu inalterado,
para felicidade geral do empresariado.
É preciso, no entanto,
destacar que a concessão do reajuste de 7,7% mostra o caminho que deve
ser perseguido pela classe trabalhadora. Sem a pressão exercida sobre o
governo nos últimos meses, a derrota seria completa nessa campanha ao
lado dos aposentados. Agora que uma conquista foi alcançada, devemos
focar nossos esforços para que o mesmo aconteça com o fim do fator
previdenciário.
Se nos anos 90 já foi importante essa
manifestação de contrariedade a um instrumento que obriga o trabalhador a
retardar sua aposentadoria, agora, com o país em uma nova fase, com
grandes perspectivas de crescimento, não podemos cair em contradição. É
preciso, com urgência, que o Brasil se livre de todas as amarras que
impediram seu desenvolvimento nas duas últimas décadas. A CTB sabe de
sua responsabilidade e irá até o fim nessa campanha. A luta, portanto,
está longe de terminar.
Wagner Gomes é presidente nacional da CTB

