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Campanha Salarial 2026

Sindicato dos Bancários de Sergipe completa 76 anos de fundação

 

policias-tentam-prender--o-greve-geral-de-22-e-23-de-m Em 14 de julho de 1934 nascia o Sindicato Sergipense dos Bancários, hoje Sindicato dos Bancários de Sergipe. Conhecer a história do Sindicato dos Bancários de Sergipe significa, antes de qualquer coisa, reconstruir a trajetória do movimento sindical no Estado. Tal tarefa se apresenta como desafio de resgatar não só a trajetória do Sindicato, mas de cada pessoa que construiu a história desta entidade e mudou os alicerces desta categoria nos últimos 76 anos.


governador-albano-recebe-barenatinho-e-souzaEm homenagem à Revolução Francesa, foi realizada uma reunião com 32 trabalhadores, no salão do Recreio Clube (instalado na atual Praça Olímpio Campos, que durante anos foi o principal clube social de Aracaju), para firmar a criação do Sindicato Sergipense dos Bancários. Segundo pesquisa realizada pelo professor do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe - UFS -, Fábio Maza, os trabalhos ficaram sob a presidência do bancário Junot Barroso e secretariado de Osvaldo Rezende. Na ocasião, também foi escolhida a diretoria provisória, na qual José Freire Pinto, do Banco do Brasil, ficou como presidente; e Waldemar Piedade Cardoso, do Banco Mercantil Sergipense, como secretário.

greve-contra-demisses-no-bposse-da-riretoria-do-seeb-Em 1934, a conjuntura política do país e as contradições que existiram no processo de materialização do Movimento Sindical, sobretudo do Sindicato dos Bancários, refletiram as dificuldades de organização política nesse período da história brasileira. Segundo Maza, os primeiros anos do Sindicato dos Bancários, bem como o desempenho dos primeiros idealizadores desta entidade, foram oscilantes, ou seja, variavam entre a resistência e a cooptação pelo Estado corporativista do Governo de Getúlio Vargas.


29-09---4-dia-de-greve-amagreve-tempo-indeterminado--Em 9 de julho de 1934 foi criado, através do Decreto-Lei 24.615, o Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Bancários (IAPB), conquista obtida a partir da greve nacional dos bancários. O IAPB tinha como objetivo, por meio de recursos originados tanto dos bancários, como dos banqueiros e do Estado, conceder aposentadoria, pensão familiar, auxílio-enfermidade e maternidade, carteira de empréstimo e internação hospitalar a seus associados.


foto-dos-diretores-antigosDesde cedo os bancários compreenderam que eram uma categoria nacional forte. Nesse sentido, as reivindicações dos bancários de Sergipe eram as mesmas exigidas por outros sindicatos do país. Como, por exemplo, a exigência de respeito pelas seis horas de trabalho; a Lei de 15 dias de férias, criada em 1926; a luta pelo piso salarial; fim das jornadas noturnas de trabalho; e fortalecimento do IAPB eram algumas das ações que o Sindicato dos Bancários de Sergipe não perdia de vista.


A partir daí, a entidade não parou mais. Participação em conferências, assembleias, reuniões e cursos fizeram parte do cotidiano de sua gestão, e a discussão política foi o combustível para sua sobrevivência.


1940


Os anos 40 chegaram e, com ele, a grande demanda de trabalho por parte do Sindicato. Naquela época era muito difícil determinar o número de funcionários nas agências bancárias de Sergipe. Por exemplo, a média por agência em São Paulo era de 25 empregados.

É importante destacar que, mesmo com uma década de organização, o avanço do movimento sindical no Brasil era difícil e a falta de liberdade política, aliada ao desânimo da maior parte da categoria, serviu de base para que muitas vezes a

categoria bancária pendesse para o adesismo ao regime de Getúlio Vargas. No entanto, tais fatores não foram suficientes para apagar completamente as tensões existentes entre bancários, de um lado, e patrões e Estado do outro.


1960


Os efervescentes anos 60 começaram com lutas e conquistas. De acordo com o bancário aposentado do Crediplan Hélio Pacheco - que milita na categoria até hoje -, a campanha de 1961 configura-se como uma ação que mudaria a cara do movimento sindical no Brasil, já que se tratava de uma paralisação nacional, a terceira da categoria. A chamada 'Greve da Dignidade' mobilizou as instâncias sociais e resultou em conquistas fabulosas como a joanina e a natalina, além de acrescentar aos bancários um reajuste de 60% e a aprovação da Lei 4.090, que instituiu o 13º salário, o que fortaleceu a recém-criada Confederação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Crédito (Contec), entidade oficializada em 1959.

"A década de 60 também não foi fácil. O Sindicato sofreu com o período de repressão e a atuação do interventor, Leonardo Mota Ribeiro, que passou cerca de cinco anos em interventoria no sindicato, com o objetivo de controlar e enfraquecer a força sindical", diz Hélio Pacheco. Ele lembra que todas essas conquistas derivaram do somatório de forças de todas as categorias e de sua união à classe trabalhadora em uma verdadeira luta de classe, mobilização realmente política.
 

1970

Só nos anos 70, foi que houve refluxo dos anos de chumbo. O movimento sindical volta a se rearticular nessa segunda metade da década, sobretudo, com representatividade regional e nacional. Figuras como Abrahão Crispim e Antônio Góis tiveram uma grande representatividade naquela época. A ditadura dificultava a articulação do movimento sindical, pois inibia a participação da caminhada, ou mesmo se filiar oficialmente, em decorrência da marginalização que a categoria sofria por parte de seus próprios companheiros ou de outras instâncias sociais.


1980

A Campanha Salarial de 1985 foi construída de forma a mobilizar tanto entidades e sindicatos, como a opinião pública, sobre a situação da categoria bancária da época. No Dia Nacional do Bancário, 28 de agosto, o Brasil inteiro viu os bancos fecharem suas portas e os bancários foram às ruas, em protesto. Entre manifestações e jatos d'água, aquela até então foi conhecida como a maior greve de bancários do Brasil, mobilizando, em 10 de setembro de 1985, cerca de 500 mil trabalhadores.


1990


Os anos 90 chegam e trazem também inflação, recessão, automação e fim de postos de trabalho. O Brasil elege Fernando Collor de Mello, e sua primeira ação foi confiscar a poupança dos brasileiros. Em reposta, os bancários do Brasil se organizam para atuar, e o primeiro passo foi antecipar a Campanha Salarial.
 

Em 1991, veio mais uma greve que reivindicava reajuste global. Ela garantiu aos bancários da rede privada reajuste de 103,45%, o equivalente a 34,5% a mais do que os banqueiros ofereciam. Em 1996, é realizada mais uma greve nos bancos privados, a qual obriga os banqueiros a aumentarem de 8% para 10,5% o índice de reajuste dos salários, mais abono de 45% e 60% do salário e Participação nos Lucros e Resultados - PLR. Também foi realizada nessa mesma década uma greve nacional de sete dias, que conquistou os tíquetes refeição e alimentação.
 

A categoria dos bancários manteve-se sempre organizada e pioneira em suas atuações, e foi a primeira a assinar acordo único válido para todo o país, em 1992. Também nesse ano foi criada a Confederação Nacional dos Bancários.


Século XXI


A virada dos anos 90 para 2000 foi marcada pela forte internacionalização da economia e pelas privatizações, ações marcantes do governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), ações essas que desenrolaram um número recorde de fechamento de empresas e aumento do desemprego. Porém, com todas as dificuldades, a categoria bancária inicia o século XXI mobilizada para continuar a luta. Nesse sentido, o SEEB/SE se articulou, o que garantiu várias conquistas para os bancários sergipanos.

 

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