Encontro Nacional de Saúde reúne funcionários do BB

Bancários de todo o país participaram do Encontro Nacional de Saúde dos Funcionários do Banco do Brasil, realizado no sábado, 28 de setembro, em São Paulo. Na pauta, atenção primária, os desafios da auto gestão e os problemas da Cassi.
A primeira mesa do Encontro debateu a autogestão e a atenção primária de saúde. O palestrante foi o professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, Gonzalo Vecina Neto, ex-secretário municipal de Saúde de São Paulo e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ele destacou que a saúde preventiva é realizada basicamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Mesmo quem não usa o SUS também depende dele. É o Sistema quem faz vigilância sanitária e realiza o atendimento preventivo de saúde”, explicou.
O professor lamentou a situação política e de saúde no país. “Temos um horizonte ruim, pois, no momento, temos um governo que tem pouco compromisso com a saúde da população e dos trabalhadores em específico”, disse, lembrando dos cortes de recursos para a área, da política de limitação de gastos com a saúde dos trabalhadores de empresas públicas e das alterações em normas de regulamentação do trabalho, que podem levar ao aumento de acidentes, dos adoecimentos e afastamento do trabalho para tratamento de saúde.
Desafios da autogestão
Na segunda mesa de debates, a deputada federal Érika Kokay (PT/DF), o presidente e o assessor jurídico da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas), Anderson Mendes e José Luiz Toro da Silva, respectivamente, trouxeram reflexões sobre os “desafios da autogestão com o atual cenário político” do país.
Érika Kokay observou que os ataques aos planos de autogestão fazem parte da construção da narrativa de que as empresas estatais e o funcionalismo públicos deve ser erradicado por fazer mal ao país. “É preciso criar no Congresso Nacional uma frente suprapartidária e listar as proposições que existem na Câmara sobre planos de saúde para que os trabalhadores possam organizar a luta na defesa dos planos de autogestão”, defendeu a deputada.
Para o presidente da Unidas, Anderson Mendes, o maior problema dos planos de autogestão é aumentar a eficiência e a qualidade para ampliar a carteira e reduzir custos. Uma das formas de se melhorar essa eficiência é o compartilhamento entre as empresas de autogestão. “A Cassi precisa ser protagonista no setor para trazer as empresas de autogestão para um desenho comum de compartilhamento”, sugeriu.
Cassi
A terceira e última mesa trouxe o histórico a situação atual da Caixa de Assistência dos Funcionários do banco (Cassi) para pauta de debates.
O dirigente do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região e ex-coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), Wagner Nascimento, abriu a mesa com um histórico que culmina na atual situação da Cassi. “Desde 2014 vimos que havia um déficit na Cassi, que ficava oculto devido à contribuição do banco sobre o benefício temporário dos funcionários. Mas, desde lá sabíamos que seria preciso haver uma negociação com o banco sobre a Cassi”, disse.
Wagner explicou ainda que foi neste momento que a CEBB, convocou as demais entidades que representam os funcionários da ativa e aposentados para compor a mesa de negociações sobre a Cassi. Foi a partir daí que surgiu o Memorando de Entendimentos, que deu fôlego de recursos à Cassi. Mas, logo em seguida a Cassi apresentou um relatório de solvência.
O banco apresentou uma proposta e todas as entidades defenderam sua rejeição. Em votação, os associados rejeitaram a proposta e, imediatamente as entidades solicitaram que o banco retomasse a mesa de negociações. Se chegou à segunda proposta, que o banco considera ser a definitiva. Algumas entidades defenderam a rejeição e outras a aprovação. Esta proposta, em maio, apesar de obter a maioria dos votos, não obteve o quórum mínimo de associados exigido pelo estatuto da Cassi.
Ao final do encontro, a CEBB orientou a realização de um dia nacional de luta em defesa da Cassi no dia 3 ou 4 de outubro. As orientações sobre a atividades serão repassadas às federações e sindicatos durante a semana.

