Reforma da previdência sai da pauta, mas a luta continua
Foi a mobilização dos trabalhadores que fez com que a reforma da previdência fosse retirada da pauta do Congresso Nacional. A suspensão da votação da proposta, prevista incialmente para esta semana, foi anunciada nesta segunda-feira (19/2), pelo presidente do Congresso, Eunício Oliveira (MDB-CE), que determinou à Mesa Diretora da Casa "a suspensão da tramitação de todas as propostas de emenda à Constituição (PEC) enquanto vigorar o decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro", previsto até 31 de dezembro.
A decisão aconteceu em um dia de intensa mobilização contra a reforma da previdência em todo o país. Mais uma vez, os trabalhadores tomaram as ruas das principais cidades para protestar contra a proposta e alertar a população sobre a importância da previdência pública.
Para o consultor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) Antonio Augusto de Queiroz, o Toninho, a pressão do movimento social foi determinante para a derrota do governo. Na opinião dele, a intervenção federal no Rio e Janeiro foi uma jogada do governo para encobrir a própria incapacidade de reunir os votos para aprovar a reforma da Previdência.
Toninho reiterou ainda que mesmo se houvesse votação o governo não teria os votos. O constrangimento imposto aos deputados impediu Temer de conseguir os votos. “Foi determinante a pressão do movimento social, especialmente dos trabalhadores para que o governo não conseguisse a maioria de que precisava. A panfletagem nos aeroportos, outdoors com fotos dos deputados pró-reforma, carro de som circulando na base dos parlamentares, ofensiva contra a propaganda do governo. Foi um trabalho muito forte de pressão”, ressaltou.

Os sindicatos e a Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe tiveram participação expressiva em toda esta mobilizando, produzindo panfletos, cartazes e vídeos contra a reforma da previdência, além de participar de todas as manifestações e protestos convocados pelas centrais sindicais desde que a proposta entrou na pauta do Congresso,
“A unidade da categoria e da classe trabalhadora foi fundamental para impedir que o governo conseguisse os votos para aprovar a reforma da previdência. Agora temos que continuar nas ruas para impedir que a proposta volte a tramitar no Congresso nesta legislatura. Temos que trabalhar também para eleger um presidente, deputados e senadores, que possam enterrar a proposta no próximo ano, além de revogar a terceirização e a reforma trabalhista do governo Temer”, afirmou o presidente da Federação dos Bancários, Hermelino Neto.
Para ele, o momento é de manter a mobilização e envolver a população no debate sobre a construção de um projeto de país mais justo e menos desigual.

