MPT marca audiência sobre demissões no Santander para dia 17
O Ministério Público do Trabalho (MPT) decidiu marcar uma nova e ampliada audiência de mediação entre a representação dos bancários e o Santander para a próxima quinta-feira (17/1), às 14h, em Brasília, o que possibilitará a participação de sindicatos e federações de todo país.
O objetivo dessa audiência ampliada é garantir que cada entidade sindical possa se manifestar sobre as demissões em massa que ocorreram no banco espanhol em dezembro e apresentar propostas de reintegração dos demitidos e de combate à rotatividade, a fim de evitar que o mesmo processo de dispensas volte a acontecer agora em janeiro e nos meses seguintes.
Na Bahia, a direção do Santander também foi convocada para se explicar ao Ministério do Trabalho e ao Sindicato dos Bancários, mas não compareceu à audiência marcada para esta sexta-feira ( 11/1), na sede do MTE em Salvador.
Rotatividade de 27,4%
Graças à determinação da procuradora do MPT na primeira audiência, o Santander enviou para a Contraf-CUT uma lista de 1.280 desligamentos em dezembro. Nesta quarta-feira, o banco disse que admitiu 325 funcionários no mesmo período. Isso mostra que houve um corte de 955 empregos em dezembro, a maior redução de vagas por mês nos últimos dois anos, conforme revelam os dados do Caged de 2011 e 2012.
Os dados do Caged comprovam a política nefasta de rotatividade, segundo análise técnica feita pelo Dieese. Enquanto a taxa no setor bancário foi de 7,6% entre janeiro e novembro de 2012, o índice no Santander atingiu 27,4% no mesmo período.
"Isso foi quase quatro vezes superior à vigente no
setor bancário como um todo. Isso significa que num período de 11 meses o banco
'girou' quase um terço do seu quadro de pessoal. Mantida essa taxa em três
anos, o banco terá 'girado' quase 100% dos seus funcionários", avalia o
Dieese.
O estudo revela que o banco desligou 13.700 empregados entre janeiro e novembro de 2012, com geração de 667 postos de trabalho no período, embora tenham sido registrados saldos negativos nos meses de março (-67), maio (-94), junho (-8) e novembro (-150). O maior desligamento ocorreu em outubro, mês após a assinatura da convenção coletiva, com 2.208 empregados.
Apesar dos números, o banco disse em ata que "não há nenhum plano de redução de quadros, com dispensa coletiva, bem como afirma que não está sendo vendido". Além disso, o banco registrou que "o seu turn over encontra-se dentro da média do segmento financeiro".

