Ato cobra julgamento dos assassinos de Colombiano e Catarina

Familiares, amigos e companheiros de luta de Paulo Colombiano e Catarina Galindo realizaram uma manifestação em frente ao Fórum Ruy Barbosa, em, Salvador, nesta sexta-feira, 28 e junho, para denunciar a lentidão da Justiça na conclusão do inquérito e pedir o julgamento dos responsáveis pelo assassinato do casal no dia 29 de junho de 2010.
O ato foi organizado pela CTB Bahia, em parceria com a família do casal. Durante o ato, o irmão de Cataria, Geraldo Galindo, fez um informe pessimista ao público presente sobre o andamento do processo, que se encontra, atualmente, em fase de recurso, após uma decisão de segunda instância, do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-BA).
“Vivemos num país onde a Justiça é uma grande interrogação”, disse Aurino Pedreira, representante da CTB, ao questionar a demora do Judiciário, mesmo após a identificação dos acusados e da reunião das provas que não deixam dúvida sobre a autoria. Segundo ele, o histórico da Justiça brasileira é de garantir a impunidade a quem tem acesso a bons advogados.

O presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Hermelino Neto, também levou sua solidariedade da categoria aos familiares de Catarina e Colombiano e reforçou o desejo de todos de que mandantes executores deste crime sejam julgados e punidos. “A cada dia aumenta a falta de credibilidade da Justiça. Não apensa na Bahia, mas em âmbito nacional, uma grande parcela da sociedade não confia na Justiça. É preciso repensar, pois quando isso acontece, é porque tem algo errado. Este caso só faz reforçar este sentimento que a sociedade tem de que os poderosos podem tudo, inclusive tirar a vida das pessoas, pois eles acreditam muito na impunidade”, ressaltou.
O ato contou com a participação dos deputados federais Alice Portugal e Daniel Almeida, ambos do PCdoB, do presidente do PCdoB na Bahia, Davidson Magalhães; do ex-deputado e dirigente nacional do PCdoB Haroldo Lima, além do vereador Hélio Ferreira, que também é presidente do Sindicato dos Rodoviários da Bahia.
O caso
Paulo Colombiano e Catarina Galindo forma assassinados quando chegavam em casa, no bairro de Brotas em Salvador, no dia 29 de junho de 2010. A autoria dos crimes, já reconhecida em primeira instância, é atribuída ao empresário e oficial aposentado da Polícia Militar (PM) Claudomiro César Ferreira Santana, apontado como mandante, e a seus funcionários Adaílton de Jesus, Edilson Araújo e Wagner Lopes, que seriam os executores. A acusação contesta a exclusão de responsabilidade de outro acusado, o irmão de Claudomiro, o médico Cássio Antônio.

Os dois irmãos eram proprietários da MasterMed, empresa do ramo de plano de saúde que tinha um contrato com o Sindicato dos Rodoviários, onde Paulo Colombiano era tesoureiro. Para a polícia e o Ministério Público do Estado (MP-BA), as mortes foram planejadas por Claudomiro e Cássio depois de saberem que Colombiano havia descoberto uma fraude milionária no contrato de prestação de serviços ao sindicato.
O processo judicial, que já tinha chegado à segunda instância, sofreu um revés, no final de 2017, quando desembargadores da 2ª Turma da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) devolveram a sentença proferida em primeiro grau, que levava a júri popular os acusados. A alegação foi de que o juiz Paulo Sérgio Barbosa de Oliveira, que era do 2º Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador, usou de ‘excessos de linguagem’ ao proferir a sentença.
Com a decisão, existe a possibilidade de o processo voltar à primeira instância para a alegada ‘adequação da linguagem’, mas só depois que forem apreciados todos recursos que a defesa apresentou. Os advogados dos acusados do crime não ficaram satisfeitos com a devolução do caso ao 1º grau porque a estratégia é tentar, com os recursos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), a absolvição dos clientes.
Enquanto o processo se arrasta, familiares e amigos realizam uma manifestação todos os anos para homenagear o casal e cobrar a punição de mandantes e executores do assassinato.
Da redação, com informações do PCdoB Bahia.

