Menu
Encontro Vozes que transformam

Antes criminalizados, FIP’s passam a ser defendidos pela Funcef

Nos últimos anos, os fundos de investimentos em participações (FIPs) foram vistos como os vilões do deficit da Funcef. Duramente criticados pela atual gestão, os ativos foram associados a prejuízos e má gestão, distorção alimentada pela atual diretoria da Fundação - mas o cenário mudou e a atual diretoria passa a enxergá-los como alternativa ao deficit.

Por sustentar o discurso de criminalização, a Funcef concentrou seus ativos em renda fixa e baixou bruscamente a meta atuarial, desequilibrando ainda mais os planos. No atual cenário, com a baixa de rendimento da renda fixa e expectativa de redução da Selic, a Funcef encontra-se num impasse: mudar a estratégia de investimentos e voltar atrás do discurso que sustentou por anos ou reduzir ainda mais a meta atuarial, aumentando mais uma vez o deficit acumulado.

A política de investimentos aprovada em março desse ano para o quadriênio 2019-2023 já faz menção à retração da Selic, mas tem como diretriz a concentração em renda fixa e a redução da participação em FIP´s. Apesar das previsões de ganho maior em renda variável, a Funcef optou por sustentar seu discurso e concentrar os ativos em renda fixa.

Com o deficit alcançando o patamar de R$ 6.2 bilhões, crescendo 19,5% desde dezembro de 2018, juros cada vez mais baixos e com o fantasma da redução da Selic assombrando a Funcef, a diretoria se viu obrigada a dar o braço a torcer e anunciar a renda variável os FIP´s como saídas para o crescente deficit dos planos de benefícios.

Má-fé à parte, a correção de rota é bem-vinda. Os fundos tiveram valorização média de 22,14% no ano, quase o triplo do desempenho obtido pelos títulos públicos. No entanto, a alocação de recursos nessa modalidade está entre as menores, em média 4%.

Não é de hoje que a Funcef contraria completamente as boas práticas de mercado sobre diversificação de investimentos aumentando, cada vez mais, o percentual de recursos alocados em renda fixa. Este movimento desperdiçou a ótima a oportunidade de ganhos mais elevados em renda variável e nos investimentos estruturados, onde estão os melhores resultados. No melhor dos cenários, a diretoria só descobriu agora que renda fixa não bate meta.

“Até agora, a direção da Funcef tem se preocupado com os relatórios de metas alcançadas em vez da rentabilidade. Precisou o desequilíbrio dos planos chegar no patamar de R$ 6.2 bilhões para a diretoria admitir seu erro e começar a corrigir a rota e enquanto isso o participante que paga a conta de anos de equívoco”, pontua a diretora de Saúde e Previdência da Fenae, Fabiana Matheus.

Fonte: Fenae

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar