Reservas internacionais atingem R$ 457,8 bilhões e batem recorde
O aumento das reservas internacionais do Brasil em
R$ 4,8 bilhões (US$ 2,8 bilhões), entre quinta-feira da semana passada e esta
terça-feira (14), indica uma intervenção mais forte do Banco Central por meio
dos leilões de compra da moeda norte-americana no mercado à vista com o objetivo
de deter a valorização do real frente ao dólar.
Nesta terça-feira, as reservas internacionais
estavam no patamar recorde de R$ 457,8 bilhões (US$ 265,139 bilhões). Nesse dia,
foram incorporados os dólares comprados em leilão na sexta-feira, com liquidação
em dois dias úteis.
Colchão
O dinheiro das reservas internacionais funciona como
um colchão para suavizar possíveis impactos de crises, como a que estourou em
2008 e afetou praticamente todas as economias mundiais. É como se fosse uma
poupança, que pode ser usada em caso de urgência, principalmente quando falta
dinheiro no mercado.
As reservas internacionais são formadas a partir da
entrada de dinheiro no país, seja por meio das exportações (vendas de
mercadorias e matérias-primas para outros países), seja pelo ingresso de
investimentos estrangeiros, diretos ou indiretos.
Com essa reserva, o BC consegue evitar a
desvalorização repentina da moeda brasileira, o real, que ocorre quando os
investidores internacionais, desconfiados com o futuro da economia do país,
resolvem sair do mercado brasileiro todos de uma vez. Nesse caso, o governo pode
usar sua poupança. Basicamente ele pega esse dinheiro, que são dólares, e vende
no mercado, o que impede que haja desvalorização da moeda brasileira.
Oferta e procura
O câmbio flutua segundo a lei da oferta e demanda.
Se há menos dólares em circulação, a moeda americana sobe e a brasileira cai.
Quando aumenta a oferta de dólares, ocorre o contrário, ou seja, o dinheiro dos
EUA fica mais barato e o do Brasil, valoriza.
Os dados anteriores à retomada da estratégia do BC
de fazer dois leilões por dia mostravam as reservas em R$ 453 bilhões (US$
262,357 bilhões). A variação das reservas está sujeita não somente às compras de
dólar nos leilões, mas também à oscilação dos investimentos estrangeiros.
Ainda assim, a mudança de patamar das reservas
ocorreu em sintonia com a estimativa de vários profissionais do mercado por
compras diárias na casa de R$ 1,72 bilhão (US$ 1 bilhão) a partir de
sexta-feira.
Dados divulgados mais cedo pelo Banco Central
revelaram que o país incorporou às reservas na semana passada R$ 1,13 bilhão
(US$ 658 milhões). Desse montante, R$ 357,4 milhões (US$ 207 milhões) eram
referentes à primeira sessão em que o BC realizou dois leilões de compra - na
quarta-feira (8), mas com liquidação financeira na sexta-feira (10).
A estimativa de operadores já apontava para uma
compra mais moderada no primeiro dia de leilão duplo, sendo que as projeções
variavam entre R$ 379,9 milhões (US$ 220 milhões) e R$ 604,4 milhões (US$ 350
milhões). Os dados oficiais das compras do BC entre quinta-feira passada e esta
quarta-feira (15) serão conhecidos na próxima semana.
Vermelho (www.vermelho.org.br)

