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Direção da CTB discute Grito de Alerta, unicidade e 1º de Maio

A mobilização para o Grito de Alerta contra a desindustrialização, a campanha pela unicidade sindical, os preparativos para o 1º de Maio e a terceirização foram os principais temas da 10ª Reunião da Direção Executiva da CTB, realizada nos dias 22 e 23 de maio no Rio de Janeiro.

O evento foi aberto com uma análise da conjuntura mundial e nacional feita pelo jornalista e assessor da Presidência da Central, Umberto Martins. Ele abordou os efeitos da crise do capitalismo e da ordem econômica internacional no Brasil, destacando o chamado “tsunami monetário”, a “guerra cambial” e o processo, consequente, de desindustrialização.

Dilúvio de dólares

Conforme Umberto Martins, o tsunami monetário foi um desdobramento previsível da crise iniciada nos Estados Unidos em 2007. “Os governos reagiram à turbulência injetando cerca de US$ 13 trilhões nas economias, sobretudo para resgatar o sistema financeiro, e uma parte apreciável desses recursos veio através da emissão de papel-moeda (dólares e euros) pelos bancos centrais dos EUA e da União Europeia”.

Concomitantemente, as maiores potências capitalistas reduziram dramaticamente as taxas básicas de juros, que vão de 0% a 0,5% nos Estados Unidos, 0% a 0,1% no Japão e 1% na Europa. As consequências colaterais dessas iniciativas, que pouco contribuíram para a redução do desemprego e recuperação da produção, foram “a explosão dos déficits fiscais, originando crises das dívidas soberanas em vários países da zona do euro, e o dilúvio de dólares no mundo, fenômeno que a presidenta Dilma caracterizou como ´tsunami monetário´”.

Guerra cambial e desindustrialização

O Brasil padece os efeitos do “tsunami monetário”, a oferta excessiva de dólares que provoca a depreciação da moeda estadunidense e a forte valorização do real. Isto reduz a competitividade da indústria nacional, estimulando e elevando o valor das importações e derrubando a exportação de manufaturados.

Daí o impulso à desindustrialização, sinalizada pela expansão do déficit comercial da indústria de transformação, que chegou a US$ 48,7 bilhões em 2011, 40,2% superior ao saldo negativo de 2010, que somou US$ 34,8 bilhões, segundo o Iedi. É crescente a participação das importações no consumo de mercadorias produzidas pelo setor, traduzindo a perda de mercado e de competitividade das empresas brasileiras, algumas das quais estão deixando de produzir e se dedicando exclusivamente ao comércio de importados. A participação relativa da produção industrial no PIB caiu de 27% em meados dos anos 1980 para 16% no ano passado.

Grito de Alerta

Os dirigentes da CTB concluíram que a defesa da indústria nacional e do emprego no setor é fundamental para os interesses da nação e da classe trabalhadora, justificando a aliança pontual com empresários do setor produtivo em torno do Grito de Alerta, que deve constar como prioridade na agenda dos militantes e dirigentes cetebistas.

Ao mesmo tempo, de acordo com a resolução da Direção Executiva sobre o tema, é indispensável manter a independência do sindicalismo classista e resgatar a agenda da 2ª Conclat centrada na luta por um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento com Valorização do Trabalho e Soberania, destacando bandeiras históricas da classe trabalhadora como a reforma agrária, redução da jornada de trabalho sem redução de salários, coibição da demissão sem justa causa e fortalecimento da agricultura familiar, entre outras.

Unicidade sindical

A reunião também aprovou uma resolução sobre a campanha em defesa da unicidade sindical e criticou a postura exclusivista e diversionista da CUT a favor da Convenção 87 da OIT, que abre caminho ao pluralismo sindical, e contra a Contribuição Sindical. “No 1º de Maio devemos levantar bem alto as bandeiras históricas da nossa classe e reiterar a defesa da unicidade”, ressaltou o presidente da CTB, Wagner Gomes.

Os sindicalistas também reiteraram a luta pela restrição e regulamentação da terceirização de acordo com a proposta elaborada pelas centrais sindicais. Wagner Gomes considerou como “extremamente positivos os resultados da reunião da Direção Executiva”, salientando o “grau elevado do debate político”.

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