Direção da CTB discute Grito de Alerta, unicidade e 1º de Maio
Dilúvio de dólares
Conforme Umberto Martins, o tsunami monetário foi um desdobramento previsível da crise iniciada nos Estados Unidos em 2007. “Os governos reagiram à turbulência injetando cerca de US$ 13 trilhões nas economias, sobretudo para resgatar o sistema financeiro, e uma parte apreciável desses recursos veio através da emissão de papel-moeda (dólares e euros) pelos bancos centrais dos EUA e da União Europeia”.
Guerra cambial e desindustrialização
O Brasil padece os efeitos do “tsunami monetário”, a oferta excessiva de dólares que provoca a depreciação da moeda estadunidense e a forte valorização do real. Isto reduz a competitividade da indústria nacional, estimulando e elevando o valor das importações e derrubando a exportação de manufaturados.
Daí o impulso à desindustrialização, sinalizada pela expansão do déficit comercial da indústria de transformação, que chegou a US$ 48,7 bilhões em 2011, 40,2% superior ao saldo negativo de 2010, que somou US$ 34,8 bilhões, segundo o Iedi. É crescente a participação das importações no consumo de mercadorias produzidas pelo setor, traduzindo a perda de mercado e de competitividade das empresas brasileiras, algumas das quais estão deixando de produzir e se dedicando exclusivamente ao comércio de importados. A participação relativa da produção industrial no PIB caiu de 27% em meados dos anos 1980 para 16% no ano passado.
Grito de Alerta
Os dirigentes da CTB concluíram que a defesa da indústria nacional e do emprego no setor é fundamental para os interesses da nação e da classe trabalhadora, justificando a aliança pontual com empresários do setor produtivo em torno do Grito de Alerta, que deve constar como prioridade na agenda dos militantes e dirigentes cetebistas.
Unicidade sindical
A reunião também aprovou uma resolução sobre a campanha em defesa da unicidade sindical e criticou a postura exclusivista e diversionista da CUT a favor da Convenção 87 da OIT, que abre caminho ao pluralismo sindical, e contra a Contribuição Sindical. “No 1º de Maio devemos levantar bem alto as bandeiras históricas da nossa classe e reiterar a defesa da unicidade”, ressaltou o presidente da CTB, Wagner Gomes.
Os sindicalistas também reiteraram a luta pela restrição e regulamentação da terceirização de acordo com a proposta elaborada pelas centrais sindicais. Wagner Gomes considerou como “extremamente positivos os resultados da reunião da Direção Executiva”, salientando o “grau elevado do debate político”.

