Banco estuda oferecer transação bancária por meio de TV digital
Embora o internet banking tenha assumido
posição relevante dentro do universo de serviços bancários, a
disseminação da ferramenta entre os clientes dos bancos se acomodou em
torno de 26% de 2006 para cá, quando comparadas à evolução do número de
correntistas. Outra pesquisa feita pelo Comitê Gestor da Internet no
Brasil - a TIC Domicílios 2009, em sua quinta edição - mostra que, entre
os internautas, o percentual daqueles que realizam transações pelos
sites dos bancos recuou de 18% em 2005 para 14% no ano passado.
O motivo mais plausível para a estagnação do ritmo estaria na
bancarização da população de baixa renda, menos familiarizada com as
transações financeiras on line. Ao mesmo tempo, o crescimento de
internautas nas classes C, D e E pode explicar a redução do percentual
daqueles que utilizam o internet banking e aponta o desafio dos bancos
para conquistar esses novos usuários.
Se a penetração não avança, em números absolutos as operações via
internet crescem aceleradamente e, para os bancos, isso significa menos
gastos operacionais. Segundo Candido Leonelli, diretor executivo do
Bradesco, o custo de uma transação feita pela internet representa apenas
13% do custo de uma operação realizada no caixa da agência bancária.
Nos terminais de auto-atendimento (ATMs), o gasto do banco equivale a
35% ao de uma operação feita na agência. No atendimento telefônico
personalizado o percentual é de 60%.
As instituições financeiras estão atentas ao fenômeno de ascensão social
da população de baixa renda e estudam outras maneiras de atendimento
remoto ao novo público. O Banco do Brasil (BB), por exemplo, já tem
pronta uma solução tecnológica de transação bancária por meio da TV
digital. A ideia é oferecer um conversor por meio do qual o cliente terá
a opção de acessar os serviços do banco, como se estivesse comprando um
programa por um canal a cabo.
"Estamos conversando com emissoras de TV para tentar subsidiar o
aparelho, para que o cliente tenha um custo praticamente zero para
adquiri-lo, com o benefício extra de uma imagem em melhor definição",
afirma Hideraldo Dwight, gerente de gestão de canais do BB. Em troca,
quem aderir à novidade deverá permanecer por certo período como cliente
do BB, a exemplo da fidelidade exigida pelas operadoras de telefonia. "O
que está sendo discutido, no momento, é como será o desenho comercial
dessa operação."
Paralelamente, o BB testa um serviço de chat (sala de bate-papo on line)
para tirar as dúvidas dos internautas sobre como navegar pela página do
banco que pretende colocar no ar em julho. Dentre os bancos de varejo, o
BB talvez seja o que tenha o menor percentual de usuários de internet.
De sua base de 50 milhões, apenas 6 milhões utilizam os serviços on line
de forma ativa. Sua base de clientes é muito heterogênea.
Valor Econômico

