CTB reitera autonomia durante 8ª Reunião da Executiva Nacional
Nesta segunda-feira (14), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), iniciou sua 8ª Reunião da Direção Executiva Nacional. O encontro, realizado em São Paulo, reúne dirigentes cetebistas de vários estados da federação, discutirá até à tarde desta terça-feira (15) os rumos da luta classista no país e os planos de ação da CTB para os próximos meses.
Neste primeiro dia do encontro, os dirigentes
tiveram como pauta a discussão sobre a elaboração de um projeto cultural
da central, a atuação classista em relação à reforma política, além de
fazer um balanço do atual cenário político nacional e votar o conjunto
de deliberações da Executiva Nacional.
O presidente Wagner Gomes
iniciou os trabalhos relatando a primeira reunião das centrais com a
presidenta Dilma Rousseff e enfatizando que a Central dos Trabalhadores e
Trabalhadoras do Brasil apoia a continuidade do projeto popular que
trouxe avanços para os trabalhadores nos últimos oito anos, mas mantém
sua posição de autonomia e independência frente ao governo. “Esta é a
primeira reunião da executiva que realizamos após a vitória de Dilma e,
apesar do apoio que foi dado pela central durante a campanha, reitero a
autonomia da CTB em relação ao governo da presidenta Dilma”.
Contudo,
numa avaliação geral, os dirigentes cetebistas analisaram como positiva
esta primeira reunião com a presidenta, uma vez que Dilma afirmou que o
governo manterá aberto o canal de diálogo com as centrais e mesmo com a
vitória governista em relação ao valor do Salário Mínimo deste ano em
R$545,00 houve uma grande vitória da população em relação a seu reajuste
que, até 2015, permanecerá nos moldes do acordo firmado entre o então
governo Lula e as centrais sindicais, em que o reajuste para o mínimo
será anualmente calculado pela inflação do ano anterior somada a
variação do PIB de dois anos antes.
Wagner Gomes também informou
que Dilma convidou as centrais sindicais para participarem de um jantar
com o presidente norte americano Barack Obama. A Direção Executiva se
posicionou contrária a participação da CTB neste jantar de “boas
vindas”, uma vez que a luta classista vai contra o imperialismo
americano.
Visita uruguaia
Durante a reunião, os
dirigentes da CTB receberam a visita de Fernando Pereira e Juan
Castillo, ambos do Plenário Intersindical de Trabalhadores e Convenção
Nacional dos Trabalhadores (PIT-CNT), do Uruguai.
Juan enfatizou a
luta da organização pela unidade sindical uruguaia e ressaltou a
importância do trabalho da CTB que busca a unidade também entre o
movimento sindical brasileiro e lembrou que essa ação é importante para a
luta da classe trabalhadora na América latina.
Reforma política
O secretario de Política Sindical e Relações Institucionais da CTB,
Joilson Cardoso, abordou a questão da reforma política como tema
fundamental de luta para a Central em 2011, pois a pauta é importante
para o crescimento do país.”A CTB precisa de uma estratégia de dialogo
com a sociedade, pois é a política que avança ou retrai a democracia de
um país”.
No encontro a plenária aprovou as deliberações da executiva nacional da CTB, veja abaixo:
A Direção Executiva Nacional da CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – reunida nos dias 14 e 15 de março em São Paulo, após avaliação do novo quadro político e das demandas dos trabalhadores e trabalhadoras na atual conjuntura, aprovou a seguinte
RESOLUÇÃO
1. A CTB, em sua primeira reunião com a presidenta Dilma Rousseff em conjunto com as outras centrais sindicais, assinalou a importância da vitória das forças populares e democráticas na sucessão presidencial;
2. Logo no primeiro embate, reafirmou sua autonomia e independência frente ao governo quando assumiu posição firme e coerente em relação ao aumento real do salário mínimo, em que pese a importante conquista que representa a aprovação da política de sua valorização;
3. Para a CTB, a “Agenda da Classe Trabalhadora pelo desenvolvimento nacional com soberania, democracia e valorização do trabalho” traduz a importante unidade programática do sindicalismo brasileiro e deve servir de fio condutor para nortear tanto as posições das centrais sindicais diante do novo governo quanto para impulsionar a mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras.
4. Para além da luta pela afirmação da Agenda da Classe Trabalhadora, a CTB destaca como prioridades imediatas:
a) Lutar por uma nova política macroeconômica que supere os estreitos limites da combinação entre superávit primário, cämbio flutuante e altíssimas taxas de juros. Na pratica, essa visão revela-se um obstáculo ao crescimento econômico que penaliza os trabalhadores e o setor produtivo;
b) Dar continuidade à política de valorização permanente do salário mínimo, aprimorando-a no intuito de garantir aumentos reais, mesmo nos anos em que o PIB for negativo;
c) Mobilizar pela imediata aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salário;
d) Avançar na definição de uma nova política para aposentadorias, com o fim imediato do fator previdenciário e sua substituição por um mecanismo que preserve os valores reais dos proventos, dos beneficios e das pensões, desvinculado da idade mínima;
e) Defender a universalização das políticas públicas, especialmente a saude e a educação pública de qualidade em todos os níveis, base fundamental para dar sustentabilidade ao crescimento econômico do país com valorização do trabalho;
f) Exigir a ratificação da Convenção 158 da OIT e a adoção de outras medidas para limitar drasticamente a rotatividade da mão de obra e avançar para o pleno emprego no país;
g) Ampliar e defender a luta pela reforma agrária, dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais e o fortalecimento da agricultura familiar, em sintonia com as resoluções da Contag;
h) Buscar ampliar a participação da CTB nos fóruns do sindicalismo internacional, contribuindo para uma melhor interlocução da Federação Sindical Mundial, fortalecendo o Encontro Sindical Nossa América e acompanhando os trabalhos desenvolvidos pela Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul.
i) Preparar e mobilizar unitariamente o conjunto do movimento sindical brasileiro no sentido de realizar em todo o país atos unitários, classistas e massivos para celebrar o 1º de maio, Dia Internacional dos Trabalhadores, bem como para uma JORNADA NACIONAL DE LUTAS em defesa da Agenda da Classe Trabalhadora e das reivindicações acima elencadas.
j) Organizar a participação da CTB na Conferëncia Nacional em Defesa do Trabalho Decente.
k) Lutar pelo fortalecimento dos serviços públicos, premissa para impulsionar a aplicação das políticas publicas.
5. Por fim, a Executiva Nacional da CTB reitera a sua firme oposição as praticas antissindicais, o seu mais decidido compromisso com a manutenção do artigo 8º da Constituição Federal, em particular com a defesa da unicidade sindical e da contribuição sindical, e rechaça tentativas em curso de promover movimentos para revogar esse artigo do conjunto dos direitos sociais inscritos na Carta Maior da nação.
São Paulo, 14 de março de 2011

