Assembleia aprova desmembramento do Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia
Nesta quinta-feira (24), os petroleiros e químicos da Bahia participaram de uma grande assembleia que teve como principal objetivo votar pelo desmembramento, ou não, do Sindicato do ramo Químico-Petroleiro do Estado. A assembleia aconteceu no Posto Nota 1000 na BR 324 e contou com a adesão em massa da categoria, cerca de mil trabalhadores do setor.
Estiveram presentes dirigentes da CTB Bahia e Rio Grande do Norte, que presenciaram satisfeitos o resultado da votação. Cerca de 85% dos trabalhadores optaram pela proposta, há muito esperada. A insatisfação dos trabalhadores se dá em razão da postura adotada pela atual direção, que rachou, se dividindo em duas partes que serão concorrentes nas próximas eleições do Sindicato (abril).
Divisão
A Chapa 01 é articulada pelo grupo ligado aos empresários do Pólo Petroquímico e o PSTU; já a Chapa 02 é composta pela CTB, Articulação Sindical e CSD, que defendem o desmembramento do Sindicato do Ramo com o retorno imediato do Sindicato Único dos Petroleiros e do Sindiquímica.
Para a CTB, o desmembramento e a criação dos dois sindicatos distintos reforça a democracia operária, superando o imobilismo do Sindicatão e retomando os dois Sindicatos para a luta firme, responsável, autônoma e independente dos patrões e gerentes da Petrobras.
“Porque o sindicato unificado como está, estava burocratizado, distante das bases. A diretoria não se entendia. Os setores dos químicos e petroleiros estavam divididos”, é o que avalia Belquior Medeiros, conselheiros do Sindipetro RN e da CTB-RN. “Com a retomada dos Sindicatos dos Petroleiros e a criação do Sindicato dos Petro-Quimicos a categoria vai voltar a participar de assembléias e mobilizações. A luta para fazer o enfrentamento com os patrões (Petrobras) será fortalecida tanto nas campanhas salariais como na agenda do dia a dia”, destaca.
Resistência
Apesar da vitória, a proposta apresentada pela CTB, Articulação Sindical e CSD enfrentou grande resistência por parte da oposição. “Uma parte da diretoria do Sindicato (que não compareceu à assembleia) é totalmente contra ao processo. Ela se recusou alegando que desmembramento não vai melhorar as relações sindicais. Além disso, eles argumentam que tem uma eleição em abril. Só a partir daí deveríamos fazer essa discussão que deveria ter sido feita há muito tempo”, declara o conselheiro do Sindipetro RN.
Para Adilson Araújo, presidente da CTB-BA, o resultado da assembleia representa uma vitória para a classe trabalhadora, que deu o pontapé inicial para o fortalecimento da categoria, tão abalado nos últimos tempos. “Nós, da CTB, reafirmamos a todo o momento nossa posição em defesa da unidade, de um sindicato independente e autônomo, perante governos e patrões. Inclusive foi essa perda de perspectivas por parte da categoria que originou esse processo de divisão interna. Nesse processo é fundamental enxergarmos é que não há a possibilidade do sindicato permanecer do jeito que está”.
Anseio por mudança
Na opinião do dirigente cetebista, a assembleia realizada nesta quinta-feira consolida uma reivindicação da base, de que de fato é necessário retornar o Sindicato Único de Petroleiros, ao tempo que abre a perspectiva de consolidação de um sindicato do ramo químico. “Para nós é fundamental no curso dessa disputa apresentar um horizonte para os trabalhadores no sentido de reafirmar que a classe trabalhadora interessa a defesa de um tipo de sindicalismo autentico, renovado e de luta. A divisão que existe hoje, dentro de um dos maiores sindicatos da Bahia, joga água no moinho do patrão. Ela enfraquece a organização sindical. O esforço de construção que nos buscamos pavimentar é numa perspectiva de ter dois sindicatos fortes que radicalize na democracia, que propicie a ampla participação dos trabalhadores dos pólos de decisão, sobre tudo nos encaminhamentos da luta. Porque esse sindicato que aí está, perdeu referência diante dos trabalhadores.
Adilson revela que a decisão dos sindicalistas se deu na tentativa de recuperar o tempo perdido. “A CTB está buscando fortalecer o dialogo com os trabalhadores para mostrar que só conseguiremos avançar a partir das mudanças políticas. Sobretudo no que diz respeito à manutenção e ampliação dos seus direitos. Por isso a CTB faz questão de se apresentar nessa batalha política e sindical com fisionomia própria. Levantando a bandeira do desenvolvimento nacional com valorização do trabalho, da recuperação das perdas salariais, da fortalecimento da organização no local de trabalho. Nós acreditamos que essa perspectivas pode consolidar a construção de um projeto novo. De um sindicato verdadeiramente autentico de luta e revolucionário”, finalizou o presidente da CTB-BA.
Cinthia Ribas - Portal CTB

