Bradesco terá que explicar alterações de extrato de envolvido na Lava jato
A Procuradoria Geral da República apura uma alteração feita pelo Bradesco em informações prestadas ao STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a quebra de sigilo bancário do deputado Vander Loubet (PT-PR) e que foram utilizadas na denúncia contra o congressista na Lava Jato.
A análise foi determinada pela Procuradoria Geral da República e trata de quatro transferências bancárias que foram apresentadas na denúncia como indícios de recebimento de propina do esquema de corrupção da Petrobras pelo deputado.
Em setembro de 2015, as movimentações na conta de Loubet, que somam R$ 11,5 mil, tinham sido efetuadas pela empresa Arbor Consultoria Assessoria, ligada ao doleiro Alberto Youssef e suspeita de pagar propina aos envolvidos no esquema. A defesa do deputado questionou as informações em março de 2016 alegando que a origem seriam depósitos em espécie feitos pelo congressista e não transferências da empresa Youssef. Em maio, a área técnica da PGR questionou o Bradesco. O banco apresentou uma retificação dizendo que eram quatro depósitos em espécie.
Um relatório elaborado por técnicos da Procuradoria considerou inusitada a alteração, alegando que era de se estranhar que no atendimento original feito pelo Bradesco, em que foram repassadas 7.463 transações bancárias, o banco tenha retificado justamente e tão somente as quatro operações contestadas pela defesa, nas quais o investigado teria recebido transferências provenientes de uma empresa importante para a investigação, suspeita de repassar propina a parlamentares.
O Bradesco afirmou à Procuradoria que especificamente os quatro lançamentos relacionados, foram inseridos indevidamente o nome do titular de outra transação no mesmo atendimento. Os técnicos querem um relatório de ocorrências da referida agência do dia em que foram acolhidos os depósitos e cópia legível das fitas de caixa do dia em que ocorreram as quatro transações retificadas, referente ao caixa que acolheu tais depósitos.

