30º CNFBB Olivan Faustino começou nesta quinta

Começou na manhã desta quinta-feira, 1º de agosto, o 30º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB) Olivan Faustino. Com o tema “Em defesa do Banco do Brasil e dos seus funcionários na era digital e do desmonte”, o evento presta uma homenagem ao ex-diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia Olivan Faustino, falecido nesta quarta-feira (31), em Salvador.
“Nosso camarada Olivan Faustino foi por muitos e muitos anos representante da Federação Bahia e Sergipe na Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil. Ele trouxe diversos temos para o debate na comissão, como a valorização dos dirigentes sindicais. É com esse espírito que a presença dele ficará marcada em nosso congresso e em nossa luta em defesa dos direitos e conquistas dos funcionários, ainda mais neste momento, que temos no governo um presidente da República que está rapidamente nos impondo uma série de perdas”, declarou Fabio Lédo, atual representate da Feebbase na CEBB.
Depois da apresentação de vídeo em homenagem a Olivan, o coordenador da CEBB, Wagner Nascimento, informou que a CEBB, em reunião na noite de quarta-feira (31/7), decidiu denominar o Congresso como 30º CNFBB Olivan Faustino.
Abertura
A primeira mesa de debates do 30º CNFBB aconteceu logo após a aprovação do Regimento Interno. A pesquisadora do Centro de Pesquisas 28 de Agosto, Ana Tércia Sanches, trouxe reflexões sobre o Mundo Digital Bancário no primeiro painel de debates do congresso, com questões que sobre a tecnologia que dialogam com o movimento sindical e o mundo do trabalho bancário.
“A tecnologia nos permite um futuro muito promissor. Uma impressora 3D consegue produzir um coração, carros autônomos conseguem amenizar consequências de acidente fatais. Mas, a tecnologia está a serviço de todos. É boa para todos?”, questionou a pesquisadora, ao lembrar que a tecnologia é boa para os bancos, mas nem sempre para os clientes e funcionários.
Lado ruim da tecnologia
Lembrando do vazamento e utilização de dados de redes sociais, Ana Tércia disse que os algoritmos utilizados nas redes podem sofrer recortes que levam à discriminação e manipulação de dados e pessoas.
Ana observou ainda que, a digitalização não está apenas nas áreas que tem relação direta com os clientes, mas também no backoffice. “A parte que atinge os clientes já está totalmente automatizada, mas aquelas realizadas no backoffice ainda podem levar à redução de cerca de 40% do trabalho humano”, disse a pesquisadora.
A pesquisadora lembrou que atividades, como o rastreamento de devedores, antigamente era feita por grupos de trabalhadores, num trabalho que levava semanas, “Agora é feito em alguns minutos por um sistema informatizado”, disse.
Ana observou ainda que, quando os bancos conseguem automatizar processos, os poucos procedimentos que ainda precisam ser realizados por um humano, são terceirizados, realizados à distância. “O atendimento humano tende a cair, ou ser eliminado”, afirmou a pesquisadora.
Agências digitais
A reestruturação do Banco do Brasil, colocada em prática desde a gestão Temer e continuada na atual gestão, traz uma série de preocupações para os funcionários do banco. Uma delas é a substituição de unidades físicas por agências digitais.
Para Ana Tércia, os principais pontos críticos da implantação de agências digitais são o aumento da carteira de clientes de cada gerente; a aproximação da atividade bancária com a de teleatendimento, sem as garantias para os trabalhadores previstas na NR17; o aumento de ruído, da digitalização e do uso da voz; o aumento do controle e pressão pelo cumprimento de metas; e a dificuldade de fiscalização e de acesso dos dirigentes sindicais.
Sobre a dificuldade de acesso aos trabalhadores pelos sindicatos, Ana Tércia disse que existem 529 fintechs que atuam no segmento financeiro. “Precisamos pensar como organizar a atuação sindical para representar os trabalhadores desses segmentos”.
Inteligência artificial
Outro ponto levantado pela pesquisadora foi a utilização da “inteligência artificial” pelos bancos. “Os bancários ‘treinam’ a inteligência artificial para o banco colocar em prática nas operações internas e depois utilizá-las no atendimento aos clientes, com uma gama enorme de informações e em linguagem coloquial, como se fosse um ser humano.”
Segundo Ana Tércia, os chatbots atendem cerca de 80% das dúvidas de funcionários e clientes.
A próxima mesa de debates vai refletir sobre a conjuntura. As atividades prosseguem até a tarde desta sexta-feira (2), quando os delegados e delegadas aprovarão as estratégias e plano de atividades de defesa dos direitos e conquistas dos funcionários.
Fonte: Contraf.
