9º Encontro das Bancárias da Bahia e Sergipe debate lutas e conquistas

O fortalecimento da luta feminina, o enfrentamento ao racismo institucional e o combate à violência contra a mulher deram o tom do 9º Encontro das Bancárias da Bahia e Sergipe, realizado neste sábado (25/04). O evento, que aconteceu no Hotel Portobello, em Salvador, integra o projeto "Vozes que Transformam – Mulheres, Diversidade e Inclusão em Movimento", promovido pela FEEBBASE.
A mesa de debates principal, intitulada "Nenhuma a menos: a luta das mulheres pela vida!", reuniu especialistas para um diálogo profundo sobre as estruturas de poder que oprimem as mulheres no ambiente de trabalho e na sociedade. A mediação foi conduzida pela psicóloga Verena Souto, doutora em Medicina e Saúde Humana.

A jornalista e pesquisadora Valéria Lima abriu o debate questionando a falta de diversidade nos cargos de decisão. "Temos pessoas negras na base, na limpeza e na execução, mas não na gestão. Essas vozes são ouvidas?", provocou. Valéria destacou que o Brasil naturalizou a presença de corpos negros apenas em funções subalternas, reflexo de um racismo estrutural que também se manifesta na mídia e nas empresas.
“A gente vive num país que naturalizou que os corpos negros estivessem presentes nos condomínios elitizados, nas classes mais altas, apenas como empregadas domésticas. E isso era refletido na imprensa, na mídia, de um modo geral.", disse.

Camilla Batista, secretária de Políticas para as Mulheres da Bahia, trouxe para um diálogo sobre a misoginia. Ela alertou para o crescimento do discurso de ódio contra mulheres, potencializado pela tecnologia e que já atinge meninas ainda na infância.
“Existe um trabalho no Senado para considerar a misoginia como um crime que está sendo equiparado ao crime de racismo, inclusive na penalidade. Ainda não é crime, mas ela desencadeia diversos crimes nesse processo. O ato misógino, muitas vezes, leva à violência sexual, instiga o estupro coletivo, que é algo que estamos vivenciando de forma muito recente e cada vez mais meninas jovens estão sendo expostas. É um retorno da misoginia e da violência que temos vivido agora já na infância e na adolescência.", ressaltou Camilla.

Durante o encontro, a gestora pública Natália Gonçalves abordou o impacto do patriarcado e a importância da Lei Maria da Penha. Para a cientista política, a mudança social só ocorre quando relações abusivas deixam de ser vistas como normais. “A gente vai naturalizando certas relações, e desnaturalizar é o único caminho para promover transformações. Essas vozes que se transformam são as que se levantam contra o que é naturalizado. Dez anos atrás, havia uma resistência muito grande contra o termo 'feminicídio', mas esse termo precisou existir, porque do conflito a respeito desse tema nasce uma política pública.", afirmou Natália.

Ao encerrar o debate, a mediadora Verena Souto convocou os presentes à ação individual e coletiva. "Enquanto instituição, temos um posicionamento, mas enquanto indivíduos, também precisamos nos movimentar", pontuou.
Como ação prática de enfrentamento às violências no setor bancário, foi entregue durante o evento uma cartilha de combate ao assédio moral e sexual, desenvolvida pela assessoria jurídica da FEEB-BA/SE, com orientações para a categoria sobre identificação e denúncia de abusos.
