A armadilha do abono
Desde o ano passado, na mesa de negociação durante a campanha salarial, a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) propõe acrescentar o abono ao índice de reajuste salarial abaixo da inflação. É uma estratégia conhecida, que visa dar uma enganosa ideia de ganho àqueles mais desavisados.

Em circular elaborada pela Fenaban, os bancos afirmam que a proposta rebaixada de reajuste de 6,5% mais R$ 3.000 de abono representa aumento acima da inflação para quem ganha algo em torno de até R$ 5.000. Para tanto dividiram o valor desse abono por 13 (12 salários + décimo terceiro) e acrescentaram o resultado obtido às três faixas salariais dispostas na circular, corrigidas pelos 6,5%. Assim, segundo a circular, um salário de R$ 2.700 teria um reajuste de 15%. Já as faixas de R$ 4.000 e R$ 5.000 seriam reajustadas em 12,3% e 11,1%, respectivamente.
O que os banqueiros não explicaram no documento é que o abono não é adicionado ao salário e o índice de reajuste de 6,5% sequer repõe a inflação medida pelo INPC, projetada em 9,57% para o período de setembro de 2015 a agosto de 2016. Os bancários teriam uma perda mensal de 2,88% nos salários, representando 38,42% ao ano. Isto sem contar as perdas também nas parcelas do FGTS, INSS e PLR.
Na verdade, os bancos querem voltar aos tempos do Governo FHC quando nas campanhas salariais foi imposta a política do abono, gerando grandes perdas à categoria.
