Bancária aborta em agência do Itaú, mas é obrigada a continuar trabalhando

Desta vez o Itaú foi longe demais. O Ministério Público do Trabalho em Palmas, no Tocantins, pediu na Justiça Trabalhista a condenação do banco por assédio moral, após uma funcionária grávida sofrer um aborto dentro da agência e ser impedida de procurar ajuda médica antes de terminar o trabalho.
Segundo os relatos dos colegas, a bancária passou mal e sofreu um aborto espontâneo e mesmo ensanguentada, não pôde sair da agência até fechar a tesouraria, três horas depois do aborto, guardando nesse período, o feto em saco plástico. No outro dia, após ir ao médico, voltou à agência para transferir a tesouraria para outro funcionário, e teve seu direito legal de 30 dias de afastamento reduzido para apenas quatro, um absurdo. A multa pretendida é de R$ 20 milhões.
De acordo com a procuradora que conduz a investigação, Mayla Mey Friedriszik Octaviano Alberti, o banco foi procurado diversas vezes, mas não se manifestou, não respondeu às notificações e nem apresentou os documentos solicitados. Na nota do Ministério Público do Trabalho, Alberti ressalta que "os bancários são punidos quando ficam doentes e que a desastrosa gestão laboral já causou a perda da vida (do nascituro), além de ameaçar outras, que estão geradas em condições adversas de pressão e estresse".
A falta de respeito aos direitos dos bancários é uma prática recorrente do banco Itaú, que embora seja o campeão de lucratividade, submete os funcionárias a condições insalubres de trabalho. A situação é denunciada diariamente pelas entidades sindicais, mas desta vez ganhou destaque também na grande imprensa, o que vai obrigar o banco a se explicar e começar a mudar suas práticas.
